Leandro Gomes de Barros foi o primeiro poeta popular nordestino a transformar a edição e a venda de folhetos em uma profissão de sucesso, vivendo exclusivamente de sua poesia. Sua produção é estimada em cerca de mil títulos, abordando temas que iam da política, das secas e dos acontecimentos do sertão às narrativas de encantamento e adaptações de romances clássicos europeus.
Carlos Drummond de Andrade chamou-o de “rei da poesia do sertão” e afirmou que a ele deveria caber o título de “príncipe dos poetas brasileiros”. Ariano Suassuna também ajudou a projetar sua obra, recitando seus versos. Leandro Gomes de Barros morreu em 4 de março de 1918, no Recife, aos 52 anos.
Entre seus textos mais conhecidos, está “O mau e o sofrimento”, que retrata as dores, as desigualdades e as indagações presentes na história do povo nordestino:
“Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito,
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”
