segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O poeta descreveu bem as dores dos nordestinos


Leandro Gomes de Barros foi o primeiro poeta popular nordestino a transformar a edição e a venda de folhetos em uma profissão de sucesso, vivendo exclusivamente de sua poesia. Sua produção é estimada em cerca de mil títulos, abordando temas que iam da política, das secas e dos acontecimentos do sertão às narrativas de encantamento e adaptações de romances clássicos europeus.

Carlos Drummond de Andrade chamou-o de “rei da poesia do sertão” e afirmou que a ele deveria caber o título de “príncipe dos poetas brasileiros”. Ariano Suassuna também ajudou a projetar sua obra, recitando seus versos. Leandro Gomes de Barros morreu em 4 de março de 1918, no Recife, aos 52 anos.

Entre seus textos mais conhecidos, está “O mau e o sofrimento”, que retrata as dores, as desigualdades e as indagações presentes na história do povo nordestino:

“Se eu conversasse com Deus

Iria lhe perguntar:

Por que é que sofremos tanto

Quando viemos pra cá?

Que dívida é essa

Que a gente tem que morrer pra pagar?


Perguntaria também

Como é que ele é feito,

Que não dorme, que não come

E assim vive satisfeito.

Por que foi que ele não fez

A gente do mesmo jeito?


Por que existem uns felizes

E outros que sofrem tanto?

Nascemos do mesmo jeito,

Moramos no mesmo canto.

Quem foi temperar o choro

E acabou salgando o pranto?”

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