A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) ainda concentra a maior parte da produção econômica do Ceará, muito embora a participação do Produto Interno Bruto (PIB) tenha decrescido, aumentando a do interior. Em 2022, a RMF era responsável por R$ 134,38 bilhões, o equivalente a 62,91% do PIB cearense, de R$ 213,60 bilhões, e o Interior por R$ 79,21bilhões (37,09%). Essa tendência também se manteve em 2023: a participação da RMF caiu para 61,44% (R$ 142,68 bilhões do total geral do estado, de R$ 232,23 bilhões), enquanto o interior subiu para 38,56%, o equivalente a R$ 89,55 bilhões.
Em 2002, o PIB do interior tinha um percentual de 35,52% elevando para 37,09% no ano de 2022, o que representa um aumento de 1,5 p.p. (ponto percentual) em 20 anos. A participação do interior em 2023 com relação a 2022 (de 37,09% para 38,5%) significa um aumento de 1,5 p.p. em apenas um ano. Já na perspectiva de longo prazo, quando são observados 21 anos (2002 comparado com 2023), a elevação da participação interiorana sai de 35,52% para 38,56%, ou seja, um aumento de 3 pontos percentuais.
A constatação está no PIB das Regiões de Planejamento do Estado do Ceará – 2023/2023, que acaba de ser lançado pela Diretoria de Estudos Econômicos (Diec), que tem como titular o professor Ricardo Pereira, do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Ceará. O estudo foi desenvolvido pelos analistas de Políticas Públicas Daniel Suliano; Alexsandre Cavalcante; Cleyber Medeiros e Nicolino Trompieri Neto. O trabalhocompleto já pode ser acessado na página do Ipece.
Daniel Suliano explica que a região de planejamento da Grande Fortaleza tem gravitado em torno de 2/3 na participação no PIB estadual. Mas, a desconcentração regional ao longo da série histórica levou, em 2023, a uma participação da RMF de 61,5%. Outra região de destaque é o Cariri, a segunda maior em participação no PIB estadual, gravitando em torno de 7,5% e alcançando 8,04% no ano de 2023. Um terceiro bloco de destaque são as regiões de planeamento do Sertão de Sobral e do Vale do Jaguaribe, ambas com participação acima de 4%. “É importante destacar os ganhos sequenciais de participação no PIB estadual da Serra da Ibiapaba. Em 2023, a região atingiu 3,1% do PIB do Estado do Ceará, única na casa dos 3%” – pontua.
Um grupo majoritário composto por seis regiões de planejamento apresentam participações no PIB do Estado do Ceará muito próximas entre si, em torno de 2%: Sertão Central, Litoral Norte, Litoral Oeste/Vale do Curu; Centro Sul; Sertão dos Crateús e Litoral Leste. No ano de 2023, a participação dessas regiões ficou entre 2,9% do Sertão Central – a maior delas – e 2,16 do Litoral Leste – a menor. A maior entre elas, o Sertão Central tem apresentado leves ganhos de participação desde 2012 no PIB estadual tendo chegado, em 2021, com um percentual de 2,7%, com 2,8% em 2022 e 2,86% em 2023.
O estudo também apresenta os principais municípios por cada região de planejamento com maior participação no PIB. A Grande Fortaleza, além da própria capital, que tem participação de 61%, outros seis municípios – Maracanaú, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Aquiraz, Eusébio e Horizonte –estão entre os dez municípios com a maior participação no PIB estadual. Adicionalmente, convém também destacar Iguatu (Centro Sul), Sobral (Sertão de Sobral), Juazeiro do Norte (Cariri), Itapipoca (Litoral Oeste/Vale do Curu) e Crato (Cariri), cinco municípios que estão fora da Região Metropolitana de Fortaleza e que tem participação no PIB do Estado do Ceará acima de 1%.
RENDA PER CAPITA
No que se refere ao PIB per capita, Daniel Suliano observa que, ao analisar a evolução da relação entre o PIB per capita do Interior e RMF para 2023, é possível perceber uma redução da diferença entre elas na medida em que relação Interior/RMF esteve em 50%. A desigualdade entre a Grande Fortaleza e o interior em termos de PIB per capita pode ser explicada pelo fato de que sete dos dez municípios com maior PIB per capita estão localizados na RMF, possuindo, todos eles, um PIB per capita superior ao do Estado. “Por outro lado, nos últimos anos, tanto a região de região de planejamento do Vale do Jaguaribe como também a região de planejamento do Litoral Leste tem-se destacado entre as regiões com maior PIB per capita estadual ao ultrapassar a região de planejamento do Sertão de Sobral” - frisa.
O Analista de Políticas Públicas do Ipece informaque, outro destaque ao longo desses 21 anos, é a região de planejamento da Serra da Ibiapaba, que era, em 2002, apenas a décima primeira região com maior PIB per capita. Em 2010, a Serra da Ibiapaba já ocupava a oitava colocação, tendo saltado tanto em 2022 como em 2023 para quinta maior região. “Nesse mesmo contexto, destaca-se também a região de planejamento do Litoral Norte, que em 2002 era a região com menor PIB per capita estadual, saltando para a décima primeira em 2010 e décima no ano de 2023” – conclui.
Os principais municípios de cada uma das quatorze regiões de planejamento com maior PIB per capita também são citados no trabalho. Novamente, a Grande Fortaleza comporta o município de São Gonçalo do Amarante, que apresenta o maior PIB per capita do Estado do Ceará. “Além de São Gonçalo do Amarante, tem-se na RMF Aquiraz, Eusébio e Maracanaú, que estão entre os dez municípios com maior PIB per capita do Estado. Finalmente, deve-se observar para a região de planejamento do Vale do Jaguaribe os municípios de Pereiro e Quixeré, municípios com o quinto e sétimo maior PIB per capita estadual em 2023, respectivamente” – conclui.
