domingo, 28 de junho de 2026

Ciro Gomes só tem alguma chance no Ceará com o voto da extrema-direita

A aliança entre Ciro Gomes e André Fernandes não é apenas uma parceria entre partidos; trata-se, fundamentalmente, de um pacto de interesses políticos. Ciro foi ministro nos governos do PT e tornou-se adversário da legenda na tentativa de sobreviver politicamente ou renascer após anunciar sua aposentadoria. André Fernandes iniciou sua trajetória política ao lado de Jair Bolsonaro, tornando-se um influenciador da extrema-direita. André apresentou o plano a Bolsonaro e lançou seu pai, que há muito desejava disputar uma vaga de deputado estadual, como candidato ao Senado.

Michelle Bolsonaro quer influenciar a eleição no Ceará, mas André Fernandes fechou a porta ao obter o aval de Jair Bolsonaro e de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. Michelle parece ter chegado atrasada ao processo ou ter sido enganada dentro de casa.

Ciro quer conquistar os votos da extrema-direita para eleger três deputados federais do PL e, se possível, um senador, projeto que envolve recursos do Fundo Eleitoral. Sem o PL e sem o apoio da direita e da extrema-direita, Ciro não decola. As pesquisas mostram que Eduardo Girão possui uma fatia expressiva do eleitorado conservador. A adesão de Girão seria fundamental, mas o senador, pré-candidato ao Governo do Estado, afirma que jamais subirá no mesmo palanque de Ciro Gomes. “Eu sou o verdadeiro conservador de direita. O Ciro é petista”, repete Girão em seus discursos.

Esse debate é natural na política, principalmente durante a pré-campanha, quando a verdade exposta em público nem sempre corresponde ao que acontece nos gabinetes. Michelle parece ter sido derrotada nessa disputa. No máximo, terá a oportunidade de disputar uma vaga por Brasília. Para os Bolsonaro, essa deverá ser a cota reservada ao Ceará. Eduardo Girão e Priscila Costa terão de buscar apoios fora do projeto Ciro/André, que nasceu na eleição para a Prefeitura de Fortaleza.

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