domingo, 5 de abril de 2026

Mobilização nacional pressiona Congresso por aprovação da PEC 383, que garante financiamento permanente da assistência social


Uma ampla mobilização nacional de gestores, trabalhadores, conselheiros e entidades da assistência social ganhou força nesta semana, em defesa da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 383/2017, que estabelece financiamento estável e permanente para o Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A proposta está na pauta do plenário da Câmara dos Deputados.

A articulação reúne instituições estratégicas como o Congemas, o Fonseas, o Conselho Nacional de Assistência Social, a Frente Nacional de Trabalhadores do SUAS, além do Consórcio Nordeste e redes estaduais e municipais em todo o país.

O que está em jogo

A PEC 383 propõe instituir um piso mínimo de financiamento para a assistência social, fixando o investimento de 1% da Receita Corrente Líquida (RCL) de cada ente federado nos serviços socioassistenciais.

Hoje, apesar de ser um direito constitucional, a assistência social é a única política da Seguridade Social sem vinculação mínima de recursos, o que a torna altamente vulnerável a cortes e contingenciamentos.  

Sistema essencial sob pressão

O SUAS é responsável por estruturar a proteção social no Brasil, integrando políticas como Cadastro Único, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), alcançando milhões de famílias em situação de vulnerabilidade.

Dados recentes indicam que:

cerca de 96 milhões de pessoas estão inscritas no CadÚnico

49,3 milhões recebem o Bolsa Família

6,3 milhões são beneficiários do BPC

quase 900 mil pessoas são atendidas diretamente em unidades como CRAS e CREAS  

Apesar desse alcance, há um descompasso entre a demanda crescente e a capacidade instalada da rede.

Entre 2017 e 2022, por exemplo, os atendimentos individualizados nos CRAS cresceram 86%, evidenciando o aumento da vulnerabilidade social no país.  

De financiamento e risco à continuidade dos serviços

Especialistas e entidades alertam que o atual modelo de financiamento, baseado em repasses discricionários e forte dependência de emendas parlamentares, gera instabilidade e compromete o planejamento da política.

Sem previsibilidade orçamentária:

serviços são descontinuados

equipes ficam fragilizadas

territórios vulneráveis permanecem sem cobertura adequada

aumentam os chamados “vazios de proteção social”  

Por que a PEC é considerada histórica

A aprovação da PEC 383 é apontada como um marco para a consolidação da assistência social como política de Estado, ao:

garantir financiamento contínuo, estável e previsível

fortalecer o pacto federativo e o cofinanciamento tripartite

permitir expansão responsável da rede socioassistencial

reduzir desigualdades territoriais

ampliar a capacidade de enfrentamento à pobreza, fome e violações de direitos  

Impacto direto nas desigualdades

A assistência social tem papel central na redução das desigualdades estruturais no Brasil. Mulheres, especialmente negras, são maioria entre os atendimentos e beneficiários das políticas vinculadas ao SUAS, evidenciando seu impacto na proteção social e na equidade.

Pressão cresce sobre parlamentares

Com a proximidade da votação, as entidades intensificaram a incidência política junto ao Congresso Nacional, com mobilizações nas redes sociais, articulações com bancadas estaduais e diálogo direto com deputados federais.

A expectativa é de que a proposta avance como resposta estrutural ao aumento das vulnerabilidades sociais no país e à necessidade de fortalecimento das políticas públicas de proteção social.

Mensagem central da mobilização

“A assistência social não pode depender de sobras orçamentárias. Garantir financiamento estável é garantir dignidade, proteção e presença do Estado onde ele é mais necessário.”

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