Finalmente, chegamos ao grande dia da decisão sobre os destinos do País. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foram protagonistas de uma das campanhas mais pobres em ideias e ricas em agressões pessoais da história brasileira desde o processo de redemocratização em 1989. Estou no jornalismo político há 40 anos, tive náuseas e nojo em alguns momentos. Saudades de políticos como Tancredo, Brizola, Ulysses, Covas, Simon, de estadistas como JK.
A política brasileira empobreceu drasticamente com esta polarização imbecil entre o lulismo e o bolsonarismo. Na eleição que Bolsonaro derrotou Fernando Haddad em 2018, o eleitor se vingou do PT por causa da traição às suas principais bandeiras no campo ético e moral. Em 2022, devolveu o poder ao PT pelo desapontamento com Bolsonaro no trato da pandemia.
Li no estrato da pesquisa Quaest que o antipetismo é maior que o antibolsonarismo: 13% votam no Lula para evitar Bolsonaro, e 25% votam no Flávio para evitar Lula. Veja onde chegamos! É como se uma eleição fosse para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo agravando o que já estava grave.
Otto von Bismarck, o “Chanceler de Ferro”, líder da unificação da Alemanha, dizia que nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada. No Brasil, chegamos a um estágio não apenas das mentiras. A sensação que dá é de que se os porcos pudessem votar, o homem com o balde de comida seria eleito sempre, não importa quantos porcos já tenha abatido no recinto ao lado.
Nos debates, Lula e Flávio trocaram insultos e um chamou o outro de mentiroso. Mais do que isso, ao ser classificado de miliciano, o filho de Bolsonaro tratou o petista de nove dedos. Isto é uma síntese de uma campanha que descambou para o lamaçal. Ataques mútuos em prejuízo para o eleitor, privado de discussões robustas sobre as propostas de cada candidato para o futuro do Brasil.
Mas diante disso tudo, caminho pior seria anular o voto ou votar em branco. Por um voto em branco, você está dizendo que tem uma consciência política, mas não concorda com qualquer um dos partidos existentes. O voto deve ser consciente e verdadeiro. O eleitor deve sentir-se à vontade para escolher seus representantes e ser norteado pela autenticidade, pelo preparo e pela capacidade do mesmo em administrar o que lhe compete.
O voto consciente é o único voto que o candidato corrupto não consegue comprar, pois esse voto só se conquista com a verdade. Tenha certeza de uma coisa: só haverá mudança política um dia neste País da desesperança se o eleitor tiver consciência de que o voto é sua maior arma para eleger um político digno e honesto, estar atento nos atos do político em que decidiu votar.
A mudança política só vai acontecer se o eleitor estiver consciente de que o seu voto faz a diferença. Um voto errado é como trair a própria consciência, entregando nas mãos de um insano a chave da sua liberdade e o destino de gerações.
Um voto cidadão não é o voto consciente: é o voto responsável, o voto pensado de forma coletiva e não pessoal. O voto é a arma do eleitor consciente. Em tempo de eleições, cada eleitor deveria usar uma “lanterna de Diógenes” para escolher seus governantes. A lanterna de Diógenes é uma famosa metáfora filosófica baseada em uma lenda sobre o filósofo grego Diógenes de Sinope, o fundador da escola cínica.
Segundo os relatos históricos e anedotas da antiguidade, Diógenes andava pelas ruas de Atenas em pleno dia, com uma lanterna acesa sob o forte sol mediterrâneo. E quando as pessoas lhe perguntavam o que ele estava fazendo, ele respondia: “Estou à procura de um homem honesto ou de um ser humano verdadeiro”.
Como ele nunca encontrou o que buscava, a atitude transformou-se em um símbolo duradouro.
Bom voto e viva a democracia!
