
As propostas dos presidenciáveis para mudar o Brasil beiram a loucura. Na área da segurança, há a proposta do candidato Renan Santos (Missão), que pretende construir uma bomba atômica. O objetivo seria fazer o Brasil sentar-se à mesa das grandes potências que possuem arsenal nuclear. “Seríamos respeitados”, sustentou. O mesmo presidenciável defende que a polícia atire para matar, uma espécie de sentença de morte à margem da lei.
Impressiona a facilidade com que adversários são acusados de entregar a máquina pública ao crime. Em Minas Gerais, o candidato do PT, Patrus Ananias, um homem sério, acusa o ex-governador e candidato à Presidência Romeu Zema de ter vendido a máquina pública e entregado o estado aos bandidos. O mesmo faz Fernando Haddad, candidato do PT ao Governo de São Paulo, ao acusar Tarcísio de Freitas de ter sido derrotado pelas facções e até de ter feito acordo para governar. No Rio de Janeiro, o candidato Eduardo Paes, do campo da esquerda e líder nas pesquisas, vai além: “Os governos de direita no Rio criaram as milícias e as organizações criminosas em troca do poder”.
A saída mais consistente para enfrentar o problema passa por uma construção coletiva que reuniu o Ministério da Justiça, o Ministério Público, as defensorias públicas, lideranças do Senado e da Câmara Federal e secretários de Segurança dos estados e municípios. A proposta tramita no Congresso Nacional há cerca de um ano e meio e ainda aguarda a conclusão da votação.
A PEC da Segurança Pública prevê a união entre Governo Federal, estados e municípios no combate ao crime. A estratégia inclui um serviço de inteligência capaz de identificar integrantes de facções, traficantes e chefes de organizações criminosas. Esse trabalho deve ser acompanhado de leis mais duras, para manter na cadeia os criminosos sem a concessão de benefícios.