A transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960, não ocorreu por falta física de espaço. Fez parte de um projeto antigo de interiorização da capital, integração do território nacional e desenvolvimento do Centro-Oeste.
Havia razões geopolíticas e econômicas. O governo pretendia estimular a ocupação e o desenvolvimento do interior do país, historicamente menos povoado e economicamente menos desenvolvido que a faixa litorânea. Também havia argumentos estratégicos para que a capital estivesse distante do litoral e, consequentemente, menos vulnerável a eventuais ataques externos.
O Rio de Janeiro, por sua vez, concentrava intensa vida política, manifestações populares, movimentos sociais e uma imprensa atuante, todos próximos do poder central. A mudança para uma cidade planejada no interior inevitavelmente aumentou a distância física entre o centro das decisões nacionais e as grandes concentrações urbanas.
