segunda-feira, 20 de julho de 2026

Amarílio Macêdo aposta R$ 20 milhões em ZPE de Quixeramobim e mira novo ciclo de desenvolvimento no Ceará

 

Após cinco décadas à frente da J. Macêdo, empresa responsável por marcas como Dona Benta, Sol e Petybon, o empresário Amarílio Macêdo, de 81 anos, volta suas atenções para um novo empreendimento no Ceará: a implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Quixeramobim, no Sertão Central.

Segundo artigo publicado em edição da Folha de S.Paulo na última semana, o investimento inicial será de R$ 20 milhões, com previsão de novos aportes à medida que o projeto avance e atraia investidores nacionais e estrangeiros.

A escolha de Quixeramobim está diretamente ligada à futura operação do Porto Seco no Município e à passagem da Ferrovia Transnordestina, considerada estratégica para o escoamento da produção até o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

Reforma tributária impulsiona projeto

De acordo com Amarílio Macêdo, um dos fatores que motivaram o investimento é a reforma tributária, que prevê até 20 anos de incentivos fiscais para empresas instaladas em Zonas de Processamento de Exportação. Na avaliação do empresário, o novo ambiente tributário desperta o interesse de investidores da China, Estados Unidos e Canadá, desde que haja infraestrutura logística adequada para garantir competitividade.

O projeto já desperta interesse de empresas dos setores agroindustrial, mineração e telecomunicações. Mesmo dependendo da conclusão da Transnordestina, prevista para 2028, Amarílio afirma tratar-se de um risco calculado.

Projeto vai além da indústria

Além da infraestrutura logística, o projeto prevê investimentos em urbanismo, educação e inovação tecnológica. O urbanista Fausto Nilo participa da concepção urbanística do empreendimento. Na área educacional, está prevista uma parceria com o Instituto Braudel, enquanto o Instituto Iracema Digital foi convidado para contribuir na estruturação do eixo de inovação da futura ZPE.

Para o presidente do Instituto Iracema Digital, Mauro Oliveira, a proposta apresentada por Amarílio Macêdo ultrapassa a criação de um distrito industrial e representa uma mudança na lógica de desenvolvimento do Sertão Central.

“Amarílio deixou claro que não propõe apenas uma ZPE ou mais um distrito industrial. Propõe uma nova lógica de desenvolvimento para o Sertão Central“, afirmou.

Segundo Mauro, o diferencial do projeto está na integração entre infraestrutura, educação, planejamento urbano e tecnologia. “Uma ferrovia transporta cargas. Uma cidade bem planejada atrai investimentos. Uma educação de qualidade forma talentos. A tecnologia conecta tudo isso ao mundo. Quando essas quatro engrenagens passam a funcionar em conjunto, o território muda de patamar.”

O presidente do Iracema Digital também avalia que a iniciativa pode inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento para o Ceará, aproveitando ativos estratégicos como a Ferrovia Transnordestina e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém. “Talvez o novo Ceará comece onde poucos imaginam: no Sertão Central. O projeto conecta a produção do Interior à infraestrutura logística e à economia do conhecimento, criando condições para agregar valor antes da exportação.”

Mauro Oliveira ressaltou ainda que o Instituto Iracema Digital foi convidado para colaborar na estruturação tecnológica do empreendimento. “Nossa missão será aproximar universidades, empresas, governos e sociedade para que a inovação deixe de ser discurso e passe a integrar a estrutura do empreendimento.”

Na avaliação do dirigente, a iniciativa tem potencial para transformar Quixeramobim em um dos principais polos de desenvolvimento do semiárido nordestino, unindo logística, indústria, tecnologia e inovação em um mesmo ecossistema econômico.

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