“A pré-campanha eleitoral atual foi uma invenção para burlar a lei eleitoral.” A frase é do advogado eleitoral Édson Guimarães, que possui mais de 40 anos de atuação profissional e é um dos mais experientes na área junto ao Tribunal Regional Eleitoral.
Para o advogado Édson Guimarães, a distorção está na própria natureza da legislação: pode-se fazer praticamente tudo, menos usar a expressão “peço seu voto”. “O restante vale. É um crime oficializado”, afirma.
O advogado, defensor do papel do Ministério Público e da Justiça Eleitoral, adverte que a classe política cria, a cada eleição, novas formas de fazer campanha antes do período permitido, tentando mostrar ao brasileiro que “o Brasil é um país do faz de conta”, o que considera lamentável.
As convenções partidárias, na visão do advogado, são outra forma encontrada pelos partidos para deixar decisões em aberto, autorizando definições posteriores. “Concordo que alianças e apoios dependem de entendimentos, mas tudo poderia ficar claro”, sustenta.
Costumeiramente, as atas das convenções são concluídas apenas dias antes do prazo final para o registro das candidaturas, muitas vezes deixando questões para judicialização. “As cotas se transformaram em um inferno para os partidos. Sou contra. A liberdade de candidaturas deveria ser algo natural”, esclarece. Concordo com ele.
