
A operação contra o CV no Ceará mobilizou a Polícia Civil nesta quinta-feira (18) para cumprir 41 mandados de prisão contra investigados por integrar o Comando Vermelho. Além das capturas, a ofensiva tem um objetivo considerado estratégico pelas autoridades: o bloqueio judicial de R$ 1,1 bilhão, valor que estaria ligado às atividades da organização criminosa.
A ação ocorre simultaneamente no Ceará e em outros sete estados e envolve investigados por homicídios, extorsões, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e domínio territorial. Entre os alvos está um advogado apontado pelas investigações como participante do fluxo financeiro atribuído à facção.
O valor bilionário colocado sob análise da Justiça revela uma mudança de foco das forças de segurança. Mais do que retirar integrantes das ruas, a estratégia busca atingir a capacidade econômica que sustenta a expansão e a permanência das organizações criminosas.
Ao concentrar esforços sobre patrimônio, movimentações financeiras e estruturas de lavagem de dinheiro, a investigação tenta atacar uma das principais fontes de poder das facções: a capacidade de financiar atividades ilegais, manter influência territorial e substituir rapidamente integrantes presos.
Operação contra o CV no Ceará tem foco na estrutura financeira da facção
A ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas do Interior Norte (Draco-Norte) e pela Delegacia de Combate aos Crimes de Lavagem de Dinheiro (DCLD), com apoio do Departamento de Inteligência Policial (DIP).
Segundo a Polícia Civil, os mandados foram executados em Sobral, Forquilha, Granja, Eusébio, Caucaia, Aquiraz, Cascavel, Crateús e Novo Oriente. Paralelamente, a operação alcança alvos em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Amazonas, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.
A abrangência da ofensiva evidencia o caráter interestadual da investigação. Embora o foco esteja no Interior Norte do Ceará, o cumprimento simultâneo de medidas em oito unidades da federação indica que os investigadores identificaram conexões operacionais e financeiras além das fronteiras estaduais, ampliando a dimensão da apuração.
Bloqueio de R$ 1,1 bilhão amplia pressão sobre lavagem de dinheiro do Comando Vermelho
O pedido de bloqueio patrimonial de R$ 1,1 bilhão é um dos principais elementos da operação. A medida busca impedir que recursos atribuídos aos investigados continuem circulando ou sejam utilizados para financiar atividades criminosas.
Diferentemente das ações focadas exclusivamente em prisões, a ofensiva tenta atingir a capacidade financeira da organização. O objetivo é impedir que recursos, patrimônios e estruturas utilizadas para ocultação de valores continuem sustentando atividades ilícitas. O montante envolvido coloca a investigação entre as maiores ofensivas patrimoniais já anunciadas contra uma facção com atuação no Ceará.
Durante a ação, as equipes também apreenderam:
- R$ 60 mil em espécie
- armas de fogo
- munições
- veículos
- aparelhos e materiais que serão periciados
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, o objetivo é retirar não apenas os integrantes da organização das ruas, mas também os recursos que garantem sua capacidade operacional.
Advogado preso reforça investigação sobre apoio ao esquema financeiro
Um dos presos é um advogado apontado pelas investigações como participante de atividades relacionadas à movimentação financeira atribuída ao grupo criminoso. Outro profissional da área jurídica foi alvo de mandado de busca e apreensão.
Segundo Márcio Gutiérrez, a suspeita é que determinados profissionais ultrapassem os limites da atuação jurídica e passem a colaborar com operações ligadas ao funcionamento da própria estrutura investigada. O delegado afirmou que essa linha de apuração será aprofundada a partir da análise do material recolhido.
As equipes apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que agora passarão por perícia. A expectativa é identificar novos fluxos financeiros, eventuais patrimônios ocultos e possíveis conexões entre investigados localizados em diferentes estados.
O material recolhido nesta fase será analisado pela Polícia Civil para identificar novas ramificações da investigação e eventuais envolvidos ainda não alcançados pelos mandados. O resultado desse trabalho poderá definir os próximos desdobramentos da operação e ampliar o alcance das apurações sobre a estrutura financeira atribuída ao grupo criminoso.