O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, fez um discurso indicando como pretende conduzir a Corte. Sem citar violência política ou facções criminosas, concentrou a fala na regulamentação do uso da inteligência artificial e no ambiente digital da campanha eleitoral. O pronunciamento exibiu um magistrado de perfil mais neutro e distante da polarização política.
“A inteligência artificial precisa ser vigiada e a campanha digital é uma realidade que exige atenção, mantendo a liberdade de expressão”, declarou o novo presidente do TSE. A ausência de referências à violência eleitoral surpreendeu integrantes do meio político e jurídico.
O TSE deverá assumir uma postura mais ágil nos julgamentos. Centenas de processos das eleições de 2022 e 2024 ainda tramitam na Corte, num atraso considerado absurdo. Só no Ceará, 14 prefeitos seguem no cargo por força de liminares.
Ao demonstrar preocupação com o uso abusivo da inteligência artificial na pré-campanha e durante a campanha eleitoral, a partir de julho, o TSE sinaliza que pretende atuar para reduzir desequilíbrios provocados pela polarização no ambiente digital.
Nunes Marques enfrentará forte pressão política. Chegou ao Supremo Tribunal Federal por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas antes havia sido nomeado desembargador do Tribunal Regional Federal pela então presidente Dilma Rousseff. Sua trajetória também é ligada ao senador Ciro Nogueira, considerado um dos principais articuladores de sua ascensão profissional. Antes da magistratura, Nunes Marques atuava como advogado no Piauí.
