Tenho abordado neste espaço um tema que está sempre em pauta em tempos de eleição: as traições e as lições políticas. Algo natural na pré-campanha e também ao longo das campanhas eleitorais.
A derrota do presidente Lula no Senado Federal, ao ter rejeitado o nome do advogado Jorge Messias para o STF, o mais alto cargo jurídico do país, traz um recado claro. Lula, experiente, sabia do risco de derrota e da possibilidade de traição. Pagou cerca de R$ 12 bilhões em emendas e, ainda assim, viu a indicação fracassar.
Lula se livra do peso de ter indicado um nome com forte identificação política para o STF. Mostra ao seu partido que o cenário mudou e que a política precisa se adaptar. Agora, deverá indicar um jurista com perfil técnico. Colocar um político não cabe mais nesse contexto. As lições estão claras. As traições também. No caso de Jorge Messias, o erro do governo encontrou resistência previsível.
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, deixou claro que o Poder Legislativo precisa ser ouvido. Nunca concordou com a indicação. Lula deveria ter ouvido e não ouviu. A escolha envolvia interesses do partido, interlocução com ministros do STF e integrantes do governo. O erro foi ampliado pela falta de articulação. Fica a lição.
