A injustiça que maltrata e abala famílias e pessoas é a pior marca dos que têm responsabilidades na vida pública. Quem recebe dinheiro público tem obrigação de agir com correção, principalmente os que atuam nas áreas da segurança, Ministério Público e Judiciário. Por lidarem diretamente com vidas e decisões que afetam o destino da população, precisam zelar com rigor pelos processos que conduzem.
Imaginar que uma investigação contra o jovem deputado Júnior Mano tenha concluído que ele utilizou R$ 800 milhões para eleger mais de 50 prefeitos beira o absurdo e exige esclarecimentos claros das autoridades responsáveis. O vazamento de uma peça investigatória, antes mesmo da conclusão do processo, levanta dúvidas e precisa ser explicado.
Essas informações vazadas levaram o senador Cid Gomes a afirmar que existe “perseguição política” e, a cada dia, ele passa a apostar ainda mais na candidatura do deputado Júnior Mano ao Senado Federal. Não é comum acreditar que um deputado de vida simples tenha uma estrutura financeira desse tamanho.
Em nota, o deputado Júnior Mano disse estar surpreso com os vazamentos e com os valores citados, afirmando que não administra recursos públicos que são liberados por outros entes. Não se pode atribuir automaticamente os vazamentos à Polícia Federal, mas o episódio levanta dúvidas sobre o interesse político por trás da divulgação dessas informações.
A tese de que Júnior Mano teria sido responsável por eleger prefeitos como Bruno (Aquiraz), Júnior do Acilon (Eusébio), Marquinhos Tavares (Itaitinga) e Jardel Sousa (Canindé), todos com mais de 70% dos votos e ligados ao grupo de Acilon Gonçalves — aliado do deputado — também levanta questionamentos. A pré-campanha ao Senado no Ceará parece ter deixado a ética longe do tabuleiro político. Lamentável.
