O município de Tauá, no Interior do Ceará, está construindo o Museu e Memorial da Covid. As obras já começaram e representam, segundo a gestão municipal, um importante gesto de respeito, lembrança e homenagem às vítimas da pandemia. Serão dois equipamentos que, juntos, fazem parte da homenagem do Município às vítimas da pandemia, em 2020. A proposta arquitetônica busca estimular o silêncio e o recolhimento, convidando a população a lembrar, com dignidade, das histórias interrompidas pela doença. Cada detalhe do projeto simboliza o compromisso do município em manter viva a memória das vítimas e reconhecer a dor enfrentada por tantas famílias tauaenses.
A prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar (PSD), visitou as obras neste fim de semana. Durante a visita, a gestora destacou o significado humano e histórico da obra, ressaltando que o memorial não é apenas uma construção física, mas um gesto de cuidado coletivo, empatia e valorização da vida.
O espaço também se propõe a servir como ponto permanente de reflexão sobre a importância da solidariedade, da ciência e da responsabilidade social. “O museu, que fica na parte superior, terá todo o aparato de exposição relativo ao combate à pandemia de 2020. Na parte inferior, teremos o próprio material, com lápides. Será um novo ponto de contemplação e de apoio às famílias enlutadas”, explicou Denis Feitosa, arquiteto e urbanista, que atua no projeto.
Conforme a IntegraSUS, gerida pela Secretaria da Saúde do Ceará e que reúne os dados referentes à pandemia, o Ceará registrou 28.345 óbitos em decorrência da covid-19. Em Tauá, conforme a plataforma, foram 213 mortes. A cidade não registra óbitos desde 2022.
VACINAÇÃO
O sábado (17), marcou a memória do início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, em 17 de janeiro de 2021. Após a aprovação do uso emergencial das vacinas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a enfermeira Mônica Calazans tornou-se a primeira brasileira imunizada, em São Paulo.
A campanha nacional começou oficialmente no dia seguinte, com a distribuição de 6 milhões de doses da CoronaVac importadas pelo Instituto Butantan. Poucos dias depois, em 23 de janeiro, o país recebeu mais 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, trazidas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Inicialmente, a imunização foi priorizada para profissionais de saúde, idosos, pessoas institucionalizadas e povos indígenas.
A partir de abril de 2021, hospitalizações e mortes entre idosos começaram a cair de forma significativa. Dados do Observatório Covid-19 Brasil indicam que, apenas nos primeiros sete meses da campanha, cerca de 165 mil internações e 58 mil mortes foram evitadas nesse grupo. Com um ano de vacinação, o Brasil aplicou 339 milhões de doses, alcançando 84% da população. Especialistas estimam que a campanha preveniu 74% dos casos graves e 82% das mortes esperadas, poupando mais de 300 mil vidas.
ATRASOS NA VACINAÇÃO
O mesmo estudo do Observatório Covid-19 Brasil apontou que cerca de 104 mil hospitalizações e até 47 mil mortes poderiam ter sido evitadas se a vacinação tivesse começado mais cedo. As conclusões reforçam críticas feitas pela CPI da Covid-19, que atribuiu ao governo federal da época a responsabilidade por atrasos na compra de vacinas e pela escassez de doses.