segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Esquerda vai só de Lula; Flávio tenta unir direita no 2° Turno


Por Tales Faria – Correio da Manhã

A esquerda está apostando todas as fichas em um único candidato ao Palácio do Planalto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Se ele vencer no primeiro turno, tudo bem. Mas o grande risco é de a eleição ir para o segundo turno. E é nisso que o bolsonarismo aposta.

Escolhido pelo pai como seu candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou a estratégia em vídeo de 5m32s divulgado na tarde deste sábado, 17, nas suas redes sociais. Ele pediu que os eleitores parem de bater nos possíveis candidatos de direita e de centro-direita, que deverão se unir “no tempo certo”:

“Não caia em pilha errada, o [governador de São Paulo,] Tarcísio [de Freitas (Republicanos),] é um aliado fundamental. A [ex-primeira-dama] Michelle [Bolsonaro (PL)] tem um papel importantíssimo. Eu tenho certeza de que você […] também queria ver meu pai, Jair Messias Bolsonaro [PL], livre, de volta à Presidência da República. E eu vou lutar até depois do fim para isso acontecer”, disse.

Ele inclui nessa aliança praticamente todos os presidenciáveis de direita, como os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) e “tantas outras lideranças de direita”:

“Você não gostaria de presenciar o momento em que eu Tarciso, Michele, Ratinho, Zema Caiado e tantas outras lideranças de direita estivéssemos juntos no mesmo palanque, pela mesma causa para resgatar o Brasil das garras do atual governo? Calma, que isso vai acontecer no tempo certo. Até lá vamos concentrar os nossos esforços em apontar pro verdadeiro culpado pelo caos em que está o nosso país, que é o atual governo.”

O tempo certo é o segundo turno. Quando, então, na estratégia de Flávio Bolsonaro, estarão todos “juntos no mesmo palanque, pela mesma causa”, que seria resgatar o “Brasil das garras da esquerda”.

É verdade que, para a estratégia dar certo, Flávio terá que convencer, antes, seus próprios irmãos. Eles ficaram incomodados, por exemplo, com as análises apontando que Tarcísio e Michelle articularam a transferência de Bolsonaro da sede da Polícia Federal, atropelando os filhos. Carlos chegou a postar nas redes socais:

“Tenho convicção absoluta, diante dos fatos mais recentes, de que o objetivo jamais foi medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro. Isso sempre foi apenas a superfície do jogo. O verdadeiro intento, ainda que de forma dissimulada, é medir forças com o próprio Jair Bolsonaro.”

Neste sábado ele volou à carga: “O enredo é cristalino. Insistem diariamente em qualquer iniciativa que anule Jair Bolsonaro e favoreça determinados interesses. Se existe um acordo, confesso que não posso afirmar, mas todo o movimento se torna, a cada dia, mais óbvio. Tentar anular Flávio Bolsonaro e “desqualificar” a carta do último presidente [de apoio de Bolsonaro à candidatura de Flávio] virou ponto de “honra” entre os envolvidos. Tenho plena certeza do método e de onde isso vai chegar. Deram o cheque esperando, depois, tentar o xeque-mate.”

Carlos sempre, enigmático: cheque, que cheque?