quarta-feira, 22 de abril de 2020

Brasil 520 anos depois: Miséria e futuro dividido


Não se pode negar a evolução do Brasil em 520 anos. Fomos educados e formados por gerações de brasileiros conservadores, latifundiários e gente que construiu bem a separação entre pobres e ricos. O Estado produzindo ricos e os ricos produzindo pobres.

Ulisses Guimarães, ao promulgar a "Constituição Cidadã", em 1988, disse que poderíamos "contestá-la, afrontar, nunca". O Brasil de hoje é o que saiu da Constituição, que tem 32 jovens anos de vida. 

Vivemos a plena liberdade, brindando com a parte do mundo livre, que mais se desenvolve nos campos da educação, da pesquisa, da cultura e evolue em direitos humanos. Nada avançou em relação à distribuição de renda, um item inatacável até aqui. Parece um tabu, a ganhar capítulo no futuro, não por iniciativa da classe política, mas por deliberação e pressão social. Sobra comida farta para poucos, e nada, prato vazio para milhões. Talvez, os ricos se rendam, tamanho o abismo da desigualdade.

A Constituição mais duradoura do Brasil, desde o seu descobrimento, está sustentando a democracia. Todos os presidentes que passaram pelo Palácio do Planalto, inclusive, o que está no poder, tentaram rasgá-la, mudar suas cláusulas. Eles foram e estão sendo contidos. A Constituição é do povo. Só uma nova Constituinte poderá alterar sua estrutura de conquistas sociais. Ulisses Guimarães disse: "Traidor da Constituição é traidor da pátria". Recado dado.

O brasileiro precisa avançar no campo da luta por desenvolvimento e geração de emprego e renda. Os americanos, tão badalados entre brasileiros, fazem parte de um País jovem como o Brasil, são a nação mais rica e poderosa do mundo. Nós, ao contrário, com todas as riquezas naturais que temos, não conseguimos sair do terceiro mundo, passando décadas dando passos como um país em desenvolvimento. Precisamos fazer mais, ir além do descobrimento.
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