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Aos 14 anos, Felipe Sousa-Lazaballet deixou Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e embarcou sozinho para Miami, nos Estados Unidos. Não falava inglês nem tinha documentação migratória. Quase 25 anos depois, foi eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar uma cadeira no Legislativo estadual. Pelo novo cargo, receberá US$ 29.697 por ano, cerca de R$ 163,6 mil. O valor está congelado desde 2010 e representa pouco mais de um terço da remuneração anual dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que recebem R$ 452 mil.
A diferença é de aproximadamente R$ 288 mil por ano. Em dólares, enquanto um parlamentar da Flórida recebe o equivalente a US$ 29,7 mil anuais, um deputado estadual fluminense ganha cerca de US$ 82,7 mil.
Felipe foi eleito com 49.752 votos, o equivalente a 62,41% dos votos válidos, derrotando a republicana Bonnie Jackson, que obteve 37,59%. Advogada e ex-promotora assistente em Houston, ela já havia tentado se eleger em 2022. O brasileiro disputou um mandato de dois anos para ocupar a cadeira da democrata Anna Eskamani, impedida de tentar a reeleição por ter atingido o limite de quatro mandatos consecutivos.
Diferentemente do Brasil, onde os deputados estaduais são eleitos pelo sistema proporcional em todo o estado, na Flórida os representantes são escolhidos por distritos eleitorais. Felipe foi eleito pelo Distrito 42, que abrange boa parte de Orlando e cidades vizinhas.
O novo parlamentar vai atuar em um Legislativo de maioria republicana. O partido governa a Flórida desde 1999 e também domina a composição da Câmara estadual. Das 120 cadeiras, apenas 35 são ocupadas por democratas.
A chegada ao Legislativo representa um novo capítulo para o brasileiro, que cresceu em uma casa sem abastecimento regular de água e energia em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias. Filho de uma diarista que criou sozinha três filhos, Felipe vendia bolos na escola para comprar o próprio material escolar. Ainda menino, chegou a escrever uma carta ao prefeito para cobrar melhorias na região onde morava.
Aos 14 anos deixou o país para viver com a irmã nos Estados Unidos. Trabalhou em um armazém, estudou no Miami Dade College e enfrentou dificuldades para pagar a universidade por não ter documentação migratória regular.
Antes de disputar uma vaga no Legislativo, trabalhou por cinco anos na administração do prefeito de Orlando, Buddy Dyer, e atuou em organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e da comunidade LGBTQ+.
Ao falar sobre o novo mandato, Felipe afirmou que pretende honrar o compromisso assumido com os eleitores e trabalhar para melhorar a vida da população que vai representar.
— Hoje meu lar é aqui nos Estados Unidos. Fiz um compromisso com 200 mil pessoas e agora vou procurar fazer com que elas se orgulhem do voto que me deram. Mais importante, quero que a vida delas melhore de verdade — afirmou Lazaballet.












