
A construção do data center ligado ao TikTok no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, entrou na fase de montagem das estruturas pré-moldadas do primeiro edifício.
O empreendimento é conduzido pela Omnia Data Centers e tem previsão de início da operação comercial no terceiro trimestre de 2027, conforme informou Rodrigo Abreu, CEO da empresa, em entrevista ao Diário do Nordeste.
O canteiro de obras também deve ampliar o número de trabalhadores nos próximos dias.
Segundo Abreu, o cronograma inicial está mantido.
“Estamos na fase de montagem das estruturas pré-moldadas do primeiro edifício. Já temos alguns espaços cobertos, então já começa a tomar forma de um edifício. O que temos praticamente terminado é a montagem do pré-moldado da primeira sala”, afirmou.
O projeto será instalado na Zona de Processamento de Exportação do Ceará, dentro do Complexo do Pecém.
A estrutura foi anunciada pelo Governo do Estado como o maior data center do Brasil e o primeiro polo de processamento de dados com operação do TikTok na América Latina, com expectativa de gerar 3.800 empregos na construção e 400 na operação.
Montagem do data center avança no Complexo do Pecém
A fase atual concentra os trabalhos na instalação das peças pré-moldadas e na preparação dos ambientes que formarão o primeiro edifício do complexo.
A conclusão da estrutura inicial está prevista para o fim de 2026, de acordo com o cronograma divulgado pela empresa responsável pela obra.
Depois da etapa estrutural, o projeto deve avançar para a montagem elétrica e para a instalação da infraestrutura tecnológica.
Essa fase está prevista para o primeiro semestre de 2027 e inclui os sistemas necessários para receber servidores, equipamentos de processamento e demais componentes operacionais.
A Omnia informou ao Governo do Ceará que assumiu compromisso de priorizar empresas cearenses entre os fornecedores da obra.
Segundo o secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, Fábio Feijó, já foram contratados R$ 190 milhões para a construção, e cerca de 90% desse valor foi destinado a empresas locais.
Feijó afirmou que a empresa também comunica ao Estado o que não foi adquirido no Ceará e os motivos da contratação fora do mercado local.
Segundo o secretário, esse acompanhamento pode orientar políticas públicas e ajudar a identificar lacunas de competitividade em cadeias produtivas ligadas a grandes empreendimentos.
“Na construção da siderúrgica, por exemplo, não temos informações do que foi comprado ou não no Ceará. Isso permite alimentar políticas públicas e análise de gap de competitividade. Com certeza traremos isso para próximos investimentos”, disse o secretário durante o Intersolar Nordeste.
Cargueiros da China devem trazer equipamentos em 2027
A partir de abril de 2027, o Ceará deve receber aviões cargueiros vindos da China com máquinas e componentes destinados ao data center.
A previsão mencionada por Fábio Feijó é de 15 voos mensais para atender à etapa de instalação dos equipamentos.
O fluxo das aeronaves também foi apontado pelo secretário como uma possibilidade de ampliar negociações comerciais com compradores chineses.
A avaliação do governo estadual é que os aviões, após desembarcarem os equipamentos no Ceará, poderiam retornar carregados com produtos locais, caso haja acordos comerciais e condições logísticas para esse tipo de operação.
“Os aviões vão vir lotados de equipamentos e podem voltar para a China vazios. Ou podem voltar com produtos cearenses, a partir de negociações com compradores chineses”, afirmou Feijó.
A alternativa foi citada pelo secretário como uma possibilidade para setores exportadores do Estado, incluindo o agronegócio.
A concretização desse modelo, no entanto, depende de negociações com empresas compradoras, disponibilidade de carga, adequações regulatórias e estrutura operacional para o transporte internacional.
Estrutura do data center do TikTok no Ceará
O data center terá 20 data halls, nome dado às salas que abrigam servidores e equipamentos de tecnologia.
Esses ambientes ficarão distribuídos em dois edifícios, com capacidade inicial informada de 200 MW de processamento contratada pela ByteDance, empresa chinesa controladora do TikTok.
O empreendimento foi desenhado de acordo com as demandas da companhia.
Segundo informações divulgadas pelo Governo do Ceará, o projeto envolve investimento privado superior a R$ 200 bilhões, considerando o conjunto previsto para a implantação e operação.
Durante a construção, a expectativa informada é de geração de 3.800 empregos.
Na fase de operação, a projeção é de 400 postos de trabalho.
Os números foram divulgados no contexto do anúncio do projeto e das etapas de implantação no Complexo do Pecém.
A estrutura deve funcionar com energia renovável fornecida pela Casa dos Ventos, uma das empresas parceiras do empreendimento.
A previsão apresentada é que dois grandes parques no Ceará abasteçam a operação, com possibilidade de uma terceira usina em outro estado.

Energia renovável e licenciamento ambiental
O Governo do Ceará informou que o data center será abastecido integralmente por energia renovável.
A administração estadual também afirmou, em comunicado sobre o projeto, que o sistema de refrigeração previsto não utilizará água para resfriar os equipamentos, restringindo o consumo hídrico a usos humanos e de manutenção predial.
O licenciamento ambiental do empreendimento foi alvo de questionamentos públicos.
Em fevereiro de 2026, o Poder360 informou que TikTok e Omnia contestaram um laudo técnico ligado ao Ministério Público Federal que apontava falhas e omissões no processo.
As empresas negaram irregularidades e afirmaram que o complexo terá energia 100% renovável.
A inclusão desse ponto no debate ocorre porque data centers de grande porte exigem alta disponibilidade de energia, conectividade e infraestrutura de segurança operacional.
No caso do Pecém, o projeto também se relaciona à estratégia do Ceará de atrair investimentos em tecnologia associados à oferta de energia renovável e à infraestrutura logística do estado.
Expansão do campus da Omnia no Ceará
A Omnia afirma que o campus no Pecém pode passar por novas etapas de expansão.
Rodrigo Abreu disse que a ByteDance já manifestou intenção de ampliar a operação futuramente e que a empresa também avalia a possibilidade de atrair outras companhias globais de tecnologia para o complexo.
“O cliente ByteDance vai expandir a operação no futuro, já afirmaram que a intenção é expandir esse campus para que seja bem maior que o inicial que está sendo construído. Mas, além disso, vislumbramos também a possibilidade de trazer outras grandes empresas de tecnologia para cá”, afirmou o CEO.
De acordo com Abreu, data centers de hiperescala atendem a um grupo restrito de clientes globais, com demanda compatível com estruturas de alta capacidade.
O executivo disse que as conversas com empresas desse porte costumam envolver prazos longos e volumes elevados de investimento.
“Estamos falando de 8 a 12 empresas globais que são candidatas para se colocar em um campus global de data center. Essas conversas acontecem, são projetos de longo prazo, são sempre desenvolvimentos longos, em que você tem centenas de bilhões de investimento comprometidos, então leva bastante tempo”, afirmou.
Com a montagem das estruturas pré-moldadas em andamento, a obra entra em uma etapa de maior movimentação no canteiro e de preparação para a instalação dos sistemas tecnológicos.
As próximas fases incluem a conclusão do primeiro edifício, a montagem elétrica e a chegada dos equipamentos importados da China.
A participação de fornecedores cearenses, a possível utilização dos voos de retorno para exportações e a operação com energia renovável estão entre os pontos acompanhados pelo governo estadual e pelas empresas envolvidas.