Nicolau Maquiavel, filósofo dos políticos, escreveu O Príncipe em 1513. Foi para o exílio em 1512, após a queda da República Florentina e o retorno da poderosa família Médici ao poder em Florença. Demitido de seu cargo, preso, torturado e acusado de conspirar contra os novos governantes, acabou retirando-se para sua propriedade rural em San Casciano.
A expressão “facada nas costas” ganhou força na política ao longo do tempo, associada à ideia de traição. O imperador Júlio César foi morto por Brutus, seu homem de confiança, após ser apunhalado por senadores. No sentido figurado, a expressão passou a representar a traição inesperada e covarde, praticada por alguém em quem se confiava.
Na política, a chamada traição é comum. A palavra, na verdade, nem sempre cabe. Entre governantes e lideranças, é frequente a troca de aliados, o “mudar de lado”, o que muitos classificam como traição. As alianças políticas são construídas com o objetivo de conquistar o poder e, por isso, são constantemente contestadas.
No Ceará, o termo “traição” passou a dominar o discurso da pré-campanha. Trouxeram Maquiavel para o debate. A máxima atribuída a ele, “os fins justificam os meios”, volta ao centro das discussões, em que ações, mesmo questionáveis, são justificadas pelo objetivo final de manutenção da ordem ou do poder. Quem traiu quem caberá ao eleitor definir na urna.
