No sertão nordestino, a pessoa que levava jumentos carregados com mercadorias para vender era tradicionalmente chamada de comboieiro. Eram responsáveis por conectar localidades distantes, liderando tropas de jegues com farinha, rapadura, sal, cachaça e outros produtos. O líder montava em um burro.
O jumento sempre foi o principal meio de transporte de carga e trabalho no campo, ajudando no transporte de água, lenha e alimentos. Embora o termo técnico seja comboieiro, esses trabalhadores também se inserem no contexto mais amplo dos tropeiros do sertão.
Atualmente, o uso de jumentos diminuiu com a popularização das motos, mas a figura do comboieiro permanece como parte importante da cultura nordestina. A transição do jumento para a moto ganhou contornos políticos. A moto virou instrumento de conquista de votos, distribuída como benefício ou promessa. Tornou-se uma ferramenta eleitoral poderosa no sertão.
O voto está ficando caro. O eleitor sabe que um deputado federal, além do salário, dispõe de cerca de R$ 80 milhões por ano em emendas e, muitas vezes, acredita que o parlamentar fica com o dinheiro. Resultado: eleição cara, desistência de candidatos e aumento das exigências. O líder comunitário fica com a maior parte, e o candidato paga a conta ou abandona a disputa.
