domingo, 19 de abril de 2026

Irã fecha Estreito de Ormuz de novo e petroleiro relata tiros


O Irã anunciou neste sábado (18) que voltou a fechar o Estreito de Ormuz, após acusar os Estados Unidos de violações e do que chamou de “atos de pirataria e roubo marítimo”. A decisão representa uma nova escalada nas tensões no Oriente Médio, em um momento crítico para as negociações de cessar-fogo na região.

Um porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o controle da passagem voltou ao estado anterior, fazendo referência ao bloqueio imposto por Donald Trump a portos iranianos no Golfo Pérsico. Teheran reforçou que o fechamento de Hormuz permanecerá até que Washington retire as restrições sobre a movimentação de navios que entram e saem do país.

A tensão aumentou ainda mais após lanchas armadas da Guarda Revolucionária do Irã abrirem fogo contra um navio petroleiro no Estreito de Hormuz. A informação foi divulgada pela Organização de Tráfego Marítimo do Reino Unido, que teria recebido um alerta do próprio capitão da embarcação atacada. Segundo relatos, os disparos aconteceram a partir de duas lanchas de ataque a cerca de 30 quilômetros da costa de Oman, sem nenhum aviso por rádio antes dos tiros. A organização informou que o navio e a tripulação estão em segurança.

Impacto no comércio global e negociações em andamento

O Estreito de Ormuz é uma via de navegação vital para o comércio global, por onde passa aproximadamente 20% do combustível de aviação mundial, sendo 69% destinado à Europa. O fechamento da passagem já está causando impactos significativos no tráfego marítimo da região, com navios petroleiros alterando suas rotas e muitos dando meia-volta, conforme observado em sistemas de monitoramento de navegação.

As tensões acontecem em um momento de expectativa para que Irã e Estados Unidos voltem à mesa de negociações antes do término do cessar-fogo, previsto para a próxima terça-feira. Donald Trump, em declarações recentes durante um evento na Casa Branca, afirmou que o diálogo com o Irã continua progredindo e que “boas conversas estão acontecendo”. O presidente americano também disse que o Irã “ficou um pouco fofo” nas negociações e garantiu que os iranianos “nunca mais irão usar o estreito como arma contra a economia mundial”.

A situação já começa a gerar preocupações além do setor petroleiro. Um consórcio com mais de 300 empresas do setor aéreo alertou que companhias aéreas podem ter que começar a cancelar voos europeus no final de maio por causa da escassez de combustível de aviação. Em comunicado, o grupo aconselhou que os governos preparem um plano para o caso de os aeroportos precisarem racionar o combustível. A Agência Internacional de Energia já havia apontado que a Europa tinha combustível de aviação suficiente para apenas cerca de seis semanas.

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