Era sábado, final da tarde, quando vi, em um grupo, o cartaz do show da Banda Guns N’ Roses em Fortaleza.
No centro da peça estava a imagem da Catedral Metropolitana de Fortaleza sendo abraçada por um monstro apocalíptico e vários mini-demônios orbitando o templo, que simplesmente é a casa de todos os católicos da nossa Arquidiocese.

Uso indevido. Imagem grotesca. Bem típico da plástica desse tipo de banda.
De imediato, me ocorreu escrever uma nota de repúdio. Era o que me parecia mais oportuno, na qualidade de assessor de imprensa da instituição em destaque na imagem. Pensei, inclusive, em criar uma imagem de um ser angélico destruindo o monstro vermelho.
Ao consultar um amigo, ele me disse: “relaxa, faz uma imagem de Jesus abraçando o Axl”. Agradeço a dica do Tobias Cortez, foi a melhor coisa.
Não posso esquecer que antes de ser assessor, sou católico, sacerdote, consagrado em um carisma. Por isso, retomei a memória de quantas vezes fiz gestão de crise a partir do princípio de que não se combate o mal com o mal, mas se vence o mal com o bem. Não poderia ser diferente nesta ocasião.
Então, fui para o Gemini e criamos a imagem abaixo.

Mais do que uma resposta, ela se tornou uma oração. Ao pesquisar um pouco sobre a vida do Axl, vocalista da Banda que existe desde 1987, fui tomado por uma grande compaixão.
Pelo que se conhece do cantor, trata-se de um homem marcado por uma história conturbada desde a infância: abandono, traição, abuso, vícios e uma profunda aversão à figura de autoridade. Fica a impressão de que, na realidade, é o próprio Axl quem foi esmagado pelo monstro vermelho do cartaz.
Acredito que o Axl precisa do abraço de Jesus, que traz as marcas das Chagas gloriosas. Deste modo, o que era para ser uma nota de repúdio se tornou o primeiro artigo de minha coluna Além do Feed, que estreia hoje no portal ArqFor.
Em Cristo, até mesmo quem nos desrespeita permanece digno do abraço do nosso Senhor; contudo, reafirmamos a importância de que os símbolos e imagens cristãs sejam tratados com o devido respeito, sem manipulações que deturpem seu sentido original.
Até o próximo Além do Feed.