No percurso político pelas regiões do Ceará, chego aos sertões dos Inhamuns. É uma região rica em histórias, marcada pela superação de adversidades e pela presença de fortes lideranças políticas. Ali, a política se move muito na base das torcidas familiares organizadas. Feitosa, Mota, Aguiar, Montes, Noronha, Cavalcante, Sousa Bastos, Vieira e Bastos são alguns dos sobrenomes que pesam e influenciam.
O líder político dos Inhamuns se chama Domingos Filho. O presidente do PSD no Ceará foi deputado estadual, presidiu a Alece, foi vice-governador e é conselheiro em disponibilidade do Tribunal de Contas do Estado. Atualmente, por decisão judicial, comanda a poderosa Secretaria do Desenvolvimento Econômico. Domingos fez da filha, Gabriella Aguiar, deputada estadual e vice-prefeita de Fortaleza. A esposa, Patrícia Aguiar, está no sexto mandato de prefeita de Tauá, e o filho, Domingos Neto, é deputado federal. Muito poder concentrado.
Domingos não para de articular a presença do seu partido e até mesmo da família na alta escalação do Estado. Hoje se movimenta para estar na chapa ao Senado ou indicar um nome para vice-governador. Entre as possibilidades citadas por aliados na região estão Jade Romero, Cláudia Brilhante ou Patrícia Aguiar.
Seus opositores na região estão distantes no campo do prestígio político. Audic Mota não conseguiu consolidar o projeto de ser um forte opositor e acabou sem mandato. Chiquinho Feitosa é opositor eventual. Já Genecias Noronha mantém maior presença política: tem um filho deputado federal, conta com o apoio de seis prefeitos e consolidou sua posição de opositor ao governo no Ceará. Genecias lembra ainda que teve um irmão suplente do então senador José Pimentel e que havia acordo para assumir o mandato, o que não teria sido honrado, episódio que, segundo ele, ajudou a levá-lo para a oposição ao PT.
