O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) revela que, em 2025, o Ceará despontou como principal vetor de dinamismo no segmento, registrando 7,3% de crescimento em relação a 2024. Dos 17 Estados que calculam o Índice, o Ceará ficou em quinto lugar, sendo o primeiro do Nordeste, com um Iatur acima da média nacional (4,6%). A Bahia apresentou incremento de 6,6% e os demais com taxas aproximadas ao resultado nacional: Rio Grande do Norte com 3,8%; Pernambuco com 3,3% e Alagoas, deslocado dos demais, com apenas 0,5%.
Os números estão no Enfoque Econômico (Nº 313 – Fevereiro/2026) - Estudo Decenal do Desempenho do Índice de Atividade Turística do Ceará: 2015-2025, que tem como autor o analista de Políticas Públicas Daniel Suliano, da Diretoria de Estudos Econômicos do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará Ipece). O trabalho tem como base dados do Iatur do IBGE, um indicador especial da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).
Ao analisar o período de 2015 a 2025, Daniel Suliano observa que, em 2015, as taxas do Iatur foram quase idênticas, tornando a diferenciação visual entre os diferentes índices de cada estado e do Brasil de difícil separação. Esse era o início da crise de 2015-2016, que havia assolado a economia nacional atingindo, também, o setor turístico. Mas é importante pontuar o desempenho positivo de Alagoas, próximo a 3%, o único entre as áreas em análise.
Já em 2016 é possível verificar um afastamento das séries, com a Bahia exibindo uma retração mais acentuada, enquanto novamente Alagoas apresenta um bom desempenho ao crescer 4,4%, além de Rio Grande do Norte e Pernambuco também apresentarem avanço no bojo da crise que havia atingido a economia nacional. Por sua vez, o turismo cearense segue trajetória similar ao Brasil, com recuo similar no âmbito dessa conjuntura adversa.
Nesse contexto – explica Daniel Suliano – ocomunicado do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) de 2017 havia identificado a ocorrência de um vale no ciclo de negócios brasileiro no quarto trimestre de 2016. O vale representa o fim de uma recessão que durou 11 trimestres – entre o segundo trimestre de 2014 e o quarto de 2016 – e a entrada do país em um período de expansão a partir do primeiro trimestre de 2017.
Diante desse diagnóstico, pode-se observar aresposta defasada do turismo nacional no que tange aos ciclos econômicos da economia brasileira dado seu desempenho negativo em 2017. Por outro lado, o turismo cearense já apresenta uma leve reação ao crescer quase 1%. No ano de 2018, ocorre um afastamento mais pronunciado no desempenho vis-à-vis os estados nordestinos bem como em relação ao índice nacional. Deve-se destacar que a atividade turística do Estado Ceará apresentou a maior taxa de crescimento: 6,6%.
Gráfico 1: Variação Anual (%) do Índice de Atividades Turísticas – Brasil/Ceará/Pernambuco/Bahia/Rio Grande do Norte/Alagoas
CRISE SANITÁRIA
Em 2019 todos os estados do Nordeste voltam a se alinhar em termos de desempenho, com o Ceará crescendo apenas abaixo do Rio Grande do Norte, com taxas de 4,8% e 5,9%, respectivamente. Em 2020 foi identificado a ocorrência de um pico no ciclo de negócios brasileiro no quarto trimestre de 2019. O pico representa o fim de uma expansão econômica que durou 12 trimestres – entre o primeiro trimestre de 2017 e o quarto trimestre de 2019 – sinalizando a entrada do país em uma recessão a partir do primeiro trimestre de 2020. Nesse ano, a atividade turística sofre um revés resultante do impacto da crise sanitária.
De acordo o comunicado de fevereiro de 2023 do Codace – frisa Daniel Suliano -, esse ciclo de contração econômica durou apenas dois trimestres – o primeiro e o segundo de 2020 –, com retorno do país à expansão econômica a partir do terceiro trimestre de 2020. Assim, esse cenário pandêmico como resultado da Covid-19 foi consolidado na segunda quinzena de março de 2020 e estendendo-se pelo ano todo. “Já noano de 2021, por sua vez, vem a recuperação do setor, com um claro processo de recuperação em “V”. Em destaque, o Ceará apresentou no ano de 2020 a maior queda não somente quando comparado aos estados do Nordeste como também com relação ao Brasil”.
A recuperação em 2021, tendo o setor no Ceará menor desempenho vis-à-vis aos demais estados do Nordeste, revela também sua maior defasagem na retomada plena - ressalta. Em 2022 a atividade turística cearense apresentou crescimento mais intenso, desempenho de pouco menos de 37%, abaixo apenas de Alagoas, que cresceu 38%. Pernambuco e Bahia cresceram apenas 16% e 23%, respectivamente. O Brasil atingiu 30%.
O ano de 2023 indica uma tendência de baixa para a atividade turística estadual amargando recuo de -3,2%. Mas deve-se frisar que não foi uma particularidade do Ceará dado também o desempenho negativo de 1,2% do Estado do Rio Grande do Norte. Em 2024 parece ocorrer uma tendência de convergência no crescimento para todas as áreas. No entanto, o recuo de 3% do Estado de Alagoas comprometeu esse processo, algo que veio a ocorrer em 2025.
De forma geral, o ano de 2024 encerrou com um bom desempenho do setor turístico. De fato, Ceará e Pernambuco tiveram um desempenho similar com taxas de 4% e 4,4%, respectivamente, superando o crescimento nacional, que foi de 3,6%. Como destaque tem-se a Bahia encerrando 2024 com uma taxa de 8,4% - finaliza o Analista de Políticas Públicas da Diec/Ipece.

