Um vídeo divulgado nas redes sociais nesta segunda-feira, 20 de janeiro de 2026, gerou forte repercussão entre profissionais da segurança privada no Ceará. Na gravação, o vigilante patrimonial Iago Lima, que atua em Fortaleza, denuncia a conduta do deputado estadual Carmelo Neto durante uma fiscalização realizada em uma escola da capital.
Segundo o relato, o parlamentar teria chegado ao local exaltado, aos gritos, e se dirigido de forma intimidatória a um vigilante armado que estava de serviço. O profissional, com mais de 15 anos de experiência e pai de família, teria apenas cumprido ordens da empresa e seguido os protocolos previstos para a função.
De acordo com Iago Lima, o vigilante não impediu a fiscalização nem agiu fora da legalidade. A escola estava fechada no momento, e cabe ao vigilante zelar pela ordem e pelo cumprimento das normas do posto de serviço. Qualquer conduta diferente, segundo ele, poderia resultar em punição pela empresa ou até demissão.
O vídeo também destaca que o profissional envolvido é eleitor e apoiador do próprio deputado, assim como outros vigilantes da categoria, mas que isso não justifica a exposição pública sofrida. Após o episódio, o trabalhador teria passado a receber diversas mensagens questionando sua conduta, apesar de, segundo os colegas, ele ter agido estritamente dentro da lei.
Outro ponto criticado é o registro de um boletim de ocorrência contra o vigilante. Conforme relatado, a existência de um BO pode inviabilizar a reciclagem profissional exigida para a função, o que, na prática, pode impedir que ele continue trabalhando na área de segurança privada.
Para a categoria, eventuais irregularidades contratuais ou administrativas deveriam ser apuradas nos órgãos competentes, como tribunais de controle ou junto ao governo estadual, e não direcionadas ao trabalhador que ocupa a ponta mais frágil da relação.
No vídeo, Iago Lima afirma que a atitude do deputado representa um “vacilo” com toda a categoria de vigilantes e cobra uma retratação pública. Ele também defende que o episódio não pode ficar impune e pede que outros parlamentares tomem conhecimento do caso.
A manifestação reforça o sentimento de indignação entre profissionais da segurança privada, que alegam desrespeito, exposição indevida e risco à subsistência de um trabalhador que apenas cumpria sua função.