O Brasil vive um cenário político em que as candidaturas aos governos estaduais sofrem forte influência da disputa presidencial. A eleição nacional contamina o debate local.
Três campos políticos estão em movimento: a extrema direita, o centro e a centro-esquerda, como definem dirigentes partidários. Os partidos importam por conta do fundo partidário, mas, no jogo político real, o peso maior é o das lideranças populares.
Lula e Bolsonaro seguem liderando a polarização, alimentada por seus seguidores. Parece uma disputa de sobrevivência política dos dois lados. Tentando se firmar como terceira via surgem nomes como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite. Na extrema direita, dois nomes estão na estrada: Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, governador de Minas Gerais.
No Ceará, o cenário aponta para o enfrentamento entre Elmano de Freitas, Ciro Gomes, Eduardo Girão e o professor Jarir Pereira. O bolsonarismo, em sua maioria, tende a votar em Ciro — não por afinidade, mas por rejeição ao PT e por enxergar no ex-governador chances de vitória. Eduardo Girão pode ser o candidato oficial do bolsonarismo, é o preferido de Michelle Bolsonaro, e esse fato prejudica Ciro, embora seus aliados não tratem o tema com a devida seriedade.
As pesquisas publicadas até aqui mostram dois cenários distintos. Sem o apoio explícito de Lula, Elmano seria derrotado. Com Lula, Camilo e Cid, Elmano abre larga vantagem e vence no primeiro turno. Ciro terá de se esforçar muito para reduzir a diferença atual e já externou essa preocupação.
