O ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes, planejou cuidadosamente o roteiro antes de conceder entrevistas agendadas em emissoras de rádio do município. Cada palavra foi calculada. Os interlocutores citavam nomes e Ivo atacava. Nada foi aleatório.
A intenção era mostrar ao público de Sobral, com repercussão nas redes sociais em todo o Ceará, que o poder atual e a oposição devem tudo aos Ferreira Gomes e seriam, segundo ele, ingratos ou até traidores. Uma tentativa clara de afirmar que a sucessão estadual estaria sob controle da família.
O ataque ao ex-prefeito Roberto Cláudio, a quem responsabilizou pelo racha familiar, foi também um recado direto a Prisco Bezerra, primeiro suplente de Cid Gomes no Senado e entusiasta da candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará. A amizade entre Ciro e Prisco, algo natural na política, foi levada ao público de forma calculada.
O ataque ao ministro Camilo Santana foi visto por aliados como sinal de ressentimento. Ivo sabe da relação próxima entre Camilo e seu irmão Cid Gomes. Chamou atenção o fato de não haver, em suas falas, qualquer reconhecimento aos mais de R$ 2,5 bilhões enviados à sua gestão, segundo pessoas ligadas a Camilo Santana e à ex-governadora Izolda Cela.
Ivo também ignorou um dado político relevante: na eleição de 2022, apoiou Elmano de Freitas, enquanto Camilo ajudou a derrotar seu irmão mais velho dentro de Sobral na disputa presidencial, deixando-o em último lugar no município.
Por fim, o caçula da família Ferreira Gomes perdeu a oportunidade, em sua primeira entrevista após deixar a Prefeitura, de discutir a derrota para Oscar Rodrigues e apresentar com clareza qual será o seu futuro político.
