A decisão da Prefeitura de Fortaleza de assumir a gestão da Santa Casa de Misericórdia é corajosa e demonstra claramente o tamanho do desafio encarnado pela atual administração municipal. Mais do que resolver uma crise financeira, trata-se de preservar um patrimônio da cidade.
Fundada em 1861, a Santa Casa sempre foi espaço de acolhimento dos mais pobres, mas também referência de atendimento para todas as classes sociais. Pertencente à Arquidiocese de Fortaleza, durante décadas foi administrada pelos chamados “mordomos” — homens e mulheres de prestígio, que garantiam recursos por meio de doações e repasses públicos. O modelo, no entanto, esgotou-se.
A cada ano, a crise se agravava: leitos fechados, serviços reduzidos, médicos cobrando procedimentos à parte, emergência paralisada. A falta de insumos e o acúmulo de dívidas levaram ao colapso.
Foi nesse cenário que o prefeito Evandro Leitão decidiu intervir. Desde 15 de julho, a Prefeitura assumiu a reestruturação do hospital, em parceria com o Governo Federal e o Governo do Estado, contando ainda com apoio técnico do Ministério da Saúde. Em menos de dois meses, já houve resultados: a retomada das cirurgias, a reabertura de unidades de atendimento e a garantia da continuidade dos tratamentos.
A cidade reconhece que a Santa Casa não pode fechar as portas. O desafio agora é maior: construir um modelo de gestão profissional e sustentável, capaz de impedir que a instituição viva, mais uma vez, sob o peso da penúria financeira. Sua sobrevivência é responsabilidade coletiva.
