sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Bolsonaro é construção da internet e a rede social foi sua algoz


O ex-presidente Bolsonaro foi um produto construído na internet, fácil de vender. A crise do Governo Dilma o ajudou a chegar à Presidência da República. Ele sonhava com isso — e realizou. Mas cometeu erros infantis que o levaram ao julgamento como golpista e chefe de organização criminosa. Bolsonaro afrontou a Constituição, descumpriu leis, rompeu com universidades e pesquisadores e atacou ministros do Supremo Tribunal Federal de forma dura. Contestou a eleição direta e chegou a anunciar que não cumpriria decisões da Suprema Corte.


O julgamento foi impiedoso. Bolsonaro não aparenta ser um homem mau, mas foi mal orientado e mal assessorado. Governou para as redes sociais e não para as pessoas. Convenceram-no de que atacar o Estado, os tribunais, as universidades, as vacinas, o Bolsa Família e a assistência social agradaria ao eleitorado. Acreditava-se que isso fortaleceria sua gestão e sua imagem. Foi um erro.


A tática do “ser contra” prejudicou o ex-presidente, em vez de torná-lo um líder popular e generoso com os pobres. Apostou no agronegócio, no mercado financeiro e nos bancos como garantia de votos. Terminou dividindo o país e desperdiçando a oportunidade de conquistar a maioria. Lula reconhece que Bolsonaro tem votos, mas o difícil será saber se consegue transferi-los. A decisão da Justiça encerra sua vida política como candidato a cargos eletivos. Bolsonaro passa a ser apenas um cabo eleitoral de peso nas próximas eleições.

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