terça-feira, 18 de outubro de 2022

Campanha para deputado foi isolada da disputa pelo governo


Pelo resultado da eleição para deputado federal e estadual, logo se descobre o descolamento da campanha proporcional da disputa pelo governo e Senado. Os números, claramente, colocam um resultado onde os deputados pouco contribuíram para a eleição majoritária. 

O que aconteceu? Vejam só o caso do Cariri. O candidato ao governo pelo PT, Elmano de Freitas, foi campeão de votos no Cariri, com média de 70%. Camilo Santana obteve cerca de 90% dos votos. Mas, a aliança do PT não elegeu um deputado  federal da terra ou da região. O único federal eleito foi Yuri  do Paredão, um jovem que assumiu o bolsonarismo na cidade de Juazeiro do Norte. Os outros partidos ou alianças não elegeram  deputado federal originário da região. Para a Assembleia, três filhos do Cariri estarão na próxima legislatura, um número reduzido, mas importante. O Cariri teria potencial para eleger mais deputados, se o eleitor tivesse vinculado o voto majoritário ao proporcional. 

Outra região que não evoluiu foi o Vale do Jaguaribe. Elegeu deputada apenas  Juliana Lucena, do PT. A região perdeu o deputado Antônio Granja, uma referência. O deputado Mauro Filho se tornou o deputado federal da região. Leonardo Pinheiro, outro outro parlamentar bem votado no Vale, é filho de Solonópole, no Sertão Central. 

No caso do PDT, o partido elegeu cinco deputados federais e 13 estaduais, mas o candidato ao governo chegou em terceiro lugar. A sinalização clara do descolamento das candidaturas. O mesmo aconteceu com a candidatura do Capitão Wagner ao governo. O fenômeno Lula e Camilo parece ter atropelado a lógica da eleição e o fundo partidário criado as campanhas soltas, individuais, longe dos partidos.