A Reijers aumentou em 300% os despachos de flores e plantas em 2019. Isso porque foram enviadas, em 2018, 8.599 caixas de flores e plantas; neste ano, esse número já ultrapassou 26.130 caixas despachadas. O crescimento é reflexo do hub aéreo, que facilitou a logística do transporte aéreo dos produtos. Segundo Roberto Reijers, diretor da empresa, as melhorias no processo logístico possibilitaram, principalmente, o escoamento da produção para os estados da Região Norte do País, como Santarém, no Pará, e Rio Branco, no Acre.
Além dos despachos aéreos, a produção de flores e plantas no Ceará também cresceu acima da média nacional. “Nos últimos quatro anos o Brasil aumentou, em média, 8% sua produção. Já no Estado, apesar da falta de água, esse percentual cresceu 25%”, afirma Roberto Reijers.
Produção em crescimento
Em 2018 foram produzidas 115 mil hastes de flores por dia, totalizando 41 milhões de botões. Este ano, mais de 52 milhões de botões já foram produzidos, o que corresponde a um crescimento de 24% em relação ao ano passado. “Parece contraditório crescer na crise, sem água e sem incentivos por parte do Governo Estadual...mas é exatamente o que está acontecendo com a Reijers”, diz Roberto.
Balanço
A Reijers Ceará encerra 2019 com um saldo positivo em relação ao ano passado. O crescimento do faturamento foi de 25%, um pouco abaixo da expectativa prevista pela empresa, que intencionava crescer, pelo menos, 35%. “Isso porque houve expansão da nossa área de produção com a nossa nova Fazenda, a Lagoinha. Partimos de 52 hectares para 114 hectares de área produtiva, além da aquisição de novas das câmaras de armazenamento, que hoje totalizam 1300 metros quadrados”.
Desafios
Porém, além da escassez hídrica, o setor da floricultura no Ceará enfrenta outros desafios. O elevado custo de insumos e a carência de mão de obra especializada são alguns deles. “A carga tributária atrapalha e o investimento que precisamos fazer para compensar a falta de água pesa bastante. Além disso, o Ceará precisa comunicar melhor a produção de rosas local. Somos um setor forte, que gera muitos empregos e oportunidades, mas não temos políticas públicas com foco em expandir a floricultura no Estado”, avalia Reijers.
Mercado
Atualmente, o Ceará ocupa a vice-liderança quando o assunto é produção de flores no Brasil. A Reijers abastece os mercados do Norte e do Nordeste do País, além dos estados de São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Cuiabá.
Nos últimos anos o varejo aumentou a demanda de pedidos e hoje representa 30% do faturamento do Grupo. “Além do Mercado das Flores, em Fortaleza nossos produtos estão disponíveis nas prateleiras dos principais supermercados da cidade, o que democratiza o acesso ao produto”, afirma Anderson Matos, Analista de Resultados da Reijers. Os decoradores (45%) e os pequenos distribuidores (25%) ainda são os principais compradores.
2020
A última carga enviada pela companhia ao exterior aconteceu há 10 anos. Em 2020, o Grupo finalmente deve aproveitar as possibilidades do hub aéreo e voltar a exportar flores e rosas. O cenário atual é favorável, segundo Roberto Reijers. “Os custos devem cair, porém é preciso investir ainda mais no nosso produto. O padrão europeu exige rosas de excelente qualidade", detalha.
Neste segundo semestre, a empresa investiu em tecnologia para adequar suas rosas às normas de exportação e padrão de qualidade internacionais. Nesse sentido, a companhia recebeu a visita técnica do consultor israelense NivNir, Gerente Regional de Vendas da Danziger para a União Europeia, Brasil e Austrália.
"Trouxemos um técnico internacional para acompanhar o nosso processo de produção. Vamos nos reconfigurar às exigências internacionais. Temos condições de entregar flores nos padrões solicitados pelo mercado europeu", destaca o empresário Roberto Reijers.
Holanda e Estados Unidos são os principais compradores de flores e plantas do Ceará. Em 2011, ano em que foi registrado o maior volume exportado pelo Estado, a Holanda respondia por 75% das compras
