Um episódio ocorrido na cúpula do Ministério Público de Minas Gerais nesta segunda-feira (9) é desses absurdos que merecem ser compartilhados por todo o Brasil.
Os procuradores discutiam o orçamento do Ministério Público para 2020. Caso Minas Gerais assine o acordo de recuperação fiscal com o governo federal, o Estado deve ficar impedido de conceder aumento ao funcionalismo, incluindo o MP.
Durante a reunião, que teve o áudio publicado no site do MP de Minas, o procurador Leonardo Azeredo dos Santos fez um apelo dramático, por causa do salário “miserê” de R$ 24 mil.
“É um salário relativamente baixo, sobretudo para quem tem mulher e filho. Quando a gente não tem mulher e filho, o dinheiro sobra. Quanto mais filho, então… vossa excelência tem dois filhos, tem que pagar pensão, tem que colega que tem três filhos e tem que pagar pensão a ex-mulher. Então, como é que o cara vai viver com 24.000 reais?”, diz.
Azeredo segue afirmando que, “ao longo da carreira, quis ter mais condição“ e que “infelizmente”, não tem origem humilde. “Eu não sou acostumado com tanta limitação”.
E continua Azeredo: “Estou fazendo a minha parte. Estou deixando de gastar R$ 20 mil de cartão de crédito e estou passando a gastar R$ 8 (mil), para poder viver com os meus R$ 24 mil. Agora, eu e vários outros, já estamos vivendo à base de comprimidos, à base de antidepressivo. Estou falando desse jeito aqui com dois comprimidos sertralina por dia, tomo dois ansiolíticos por dia e ainda estou falando desse jeito. Imagine se eu não tomasse? Ia ser pior que o Ronaldinho. Vamos ficar desse jeito? Nós vamos baixar mais a crista? Nós vamos virar pedintes, quase?”