O Governo Federal lançou o Tela Brasil, uma plataforma pública de streaming gratuita voltada à ampliação do acesso à cultura e à valorização do audiovisual nacional. Desenvolvido em parceria pelo Ministério da Cultura (MinC) e pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o aplicativo já pode ser baixado na Play Store e, neste primeiro momento, está disponível para aparelhos com sistema Android.
A iniciativa reúne em um só espaço produções brasileiras de diferentes formatos, como filmes, séries, documentários e animações, funcionando como uma vitrine para o cinema e a produção independente do país. O acesso é simples e não exige pagamento: basta que o usuário faça login com a conta gov.br para assistir aos conteúdos disponíveis.
Apesar de já estar acessível ao público, o Tela Brasil ainda passa por ajustes. A versão atual aparece na loja como “em desenvolvimento”, o que indica que novas funções e melhorias devem ser incorporadas nos próximos meses, até a liberação de uma versão mais estável. A proposta é fortalecer a circulação de obras nacionais e ampliar o contato da população com produções que, muitas vezes, ficam fora do circuito das grandes plataformas comerciais.
O lançamento ocorre em um contexto de maior visibilidade do cinema brasileiro, impulsionado pelo reconhecimento internacional de produções recentes, como “Ainda estou aqui” (2024) e “Agente secreto” (2025). Com a nova plataforma, a expectativa do governo é criar uma janela permanente para a exibição de títulos clássicos e contemporâneos do acervo público, aproximando ainda mais o público da diversidade cultural produzida no país.
Relator no STF do caso do Banco Master, o ministro Dias Toffoli tem parentes que fizeram negócio com investigados no processo, mas uma eventual saída do caso dependeria do próprio Toffoli ou de o Supremo ser provocado a agir por algum dos envolvidos no processo.
Episódios revelados pela imprensa levaram a questionamentos e cobranças para que Toffoli se afaste do caso. Até o momento, porém, ele segue como relator.
O que diz a lei
Toffoli pode se afastar do caso a qualquer momento. Ele poderia alegar, por exemplo, “razões de foro íntimo”, sem dar mais explicações, e enviar o processo para outro ministro da corte. Outra possibilidade seria o plenário do STF decidir se afasta ou não ele, a partir de um pedido de afastamento, chamada arguição de suspeição ou de impedimento.
Afastamento só poderia ser solicitado por alguma das partes envolvidas na investigação, incluindo a PGR (Procuradoria-Geral da República). Este tipo de demanda pode ser apresentada diretamente ao ministro relator ou ao presidente do STF — cargo ocupado por Edson Fachin (Alexandre de Moraes é o vice e comanda o STF no recesso, até 31 de janeiro).
Na primeira hipótese se o próprio ministro relator negá-lo, o caso pode ser levado para as turmas ou ao plenário do tribunal. No segundo caso, de pedido apresentado ao presidente do STF, se ele considerar que o pedido preenche os requisitos mínimos, ele oficia ao ministro cobrando explicações. Após receber as explicações, cabe ao presidente da corte levar o caso para ser analisado em plenário.
Supremo nunca levou um pedido desse para ser julgado pelo plenário. Todos os casos de afastamento só ocorreram quando um próprio ministro reconheceu que não deveria mais conduzir o processo. Pelo regimento, se um caso de impedimento ou suspeição de ministros chegar ao plenário, a sessão é secreta, ou seja, os votos, são sigilosos.
Legislação prevê dois tipos de afastamento: por suspeição ou por impedimento. No primeiro caso, são considerados motivos subjetivos, como se o juiz ou ministro for “amigo íntimo” de uma das partes. No segundo caso, trata-se de condições objetivas que impediriam o ministro de atuar naquele processo, como ter um parente atuando como advogado no caso.
“Afastamento gera desgaste”, diz especialista
Para professor da USP, a estrutura do STF acaba dificultando esse tipo de controle. Alamiro Velludo, professor de Direito Penal da USP, explica que, como o Supremo já é a última instância do Judiciário, há menos mecanismos para se rever as decisões de um ministro.
Além disso, há uma “regra não escrita” na corte de se evitar deslegitimar um ministro que se declara apto a julgar um caso. “Sabemos que dentro do tribunal um eventual afastamento de um colega gera desgaste, traz constrangimento para a corte e os ministros não querem abrir precedente. Então é um controle muito difícil de ser feito, até porque são apenas 11 ministros na corte, e todos sabem da responsabilidade que cada um tem para julgar”, diz Alamiro.
Mecanismos de afastamento são mais difíceis de serem utilizados em uma investigação. Segundo o especialista, na fase de inquérito nem sempre está claro qual o verdadeiro envolvimento de cada pessoa citada na investigação, e novos fatos e personagens podem surgir a qualquer momento, dificultando a avaliação se o juiz ou ministro responsável deve ser afastado.
Ele aponta ainda que esses mecanismos de suspeição e impedimento foram pensados para investigações e processos que se iniciam na primeira instância. Nestes casos, os atos dos juízes podem ser revistos por autoridades superiores, diferentemente do STF, onde todos os ministros estão no mesmo patamar e não querem interferir na atuação de um colega pelo precedente que isso pode causar.
“Temos um sistema judiciário que não foi pensado para que investigações dessa ordem (em referência ao caso do Master) transitem na corte constitucional. O nosso desenho processual não foi pensado nessa lógica de uma corte suprema conduzir uma investigação, e aí começamos a nos deparar com diversas circunstâncias que esse modelo legal (sobre impedimento e suspeição) não se encaixa”, explica Alamiro.
Outros casos polêmicos no STF
Toffoli não se declarou impedido de julgar delação de Sérgio Cabral que citava ele. Em 2021, o ministro votou no julgamento no plenário do STF que anulou, por 7 votos a 4, o acordo de colaboração do ex-governador do Rio. Em depoimento, revelado pela Folha de S.Paulo, Cabral afirmou que Toffoli teria recebido propina em troca de decisões judiciais quando presidiu o TSE, entre 2014 e 2016.
PGR já pediu suspeição de outro ministro, Gilmar Mendes, em 2017. Na ocasião, a PGR pediu para o ministro não atuar nos casos envolvendo o empresário Jacob Barata, que chegou a ser preso pela Lava Jato no Rio de Janeiro. O empresário era conhecido como “Rei dos Ônibus” e foi acusado de participar de um esquema de pagamento de propinas da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) a políticos fluminenses, incluindo o ex-governador Sérgio Cabral.
Pedido da PGR não deu em nada no caso de Gilmar. Ministro não se considerou suspeito, mesmo sendo padrinho de casamento da filha de Barata, que se casou com um sobrinho de Gilmar. Presidência do STF na época também não deu andamento ao processo de suspeição a tempo, e o caso acabou sendo arquivado.
No caso do Master, o cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco, é cotista de fundo que investiu em resort de irmãos de Toffoli, segundo reportagem do Estadão — o advogado e pastor Fabiano Zettel chegou a ser preso nesse mês, na mais recente etapa da operação Compliance Zero, autorizada por Toffoli.
Neste domingo, 18, iniciou-se um grande protesto virtual em todo o Brasil, para baixar os salários dos magistrados, senadores e representantes da Câmara Federal em 60%. Também, retirar seus benefícios de telefone celular, pois podem pagar do seu próprio bolso qualquer plano.
Salários e benefícios na Câmara:
R$ 47.700,00 (Salário);
R$ 94.300,00 (Verba de Gabinete);
R$ 53.400,00 (Auxílio Paletó);
R$, 5.000,00 (Combustível);
R$ 22.000,00 (Auxílio Moradia);
R$ 59.000,00 (Passagens Aéreas);
R$ 17.997,00 (Auxílio Saúde);
R$ 12.100,00 (Auxílio Educação);
R$ 16.400,00 (Auxílio Restaurante);
R$ 13.400,00 (Auxílio Cultural)
Total 341.297,00
Um absurdo!!!
É indecente!!!
Auxílio Dentista...
Auxílio Farmácia...
E outros, para LASCAR as nossas vidas!
E o trabalhador R$ 1.518,00, para sustentar a família.
Será que o problema do Brasil são os trabalhadores?
Um incêndio foi registrado no final da manhã deste domingo, 18, no leito do Açude da Pompeia, em Quixeramobim. As chamas atingiram áreas de vegetação seca e verde nas imediações da Rua Dona Adélia Albuquerque, no bairro Planalto Nova Pompeia.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou o trabalho de contenção do fogo. A fumaça provocada pelo incêndio se espalhou rapidamente pela região, sendo possível avistá-la de diversos pontos da cidade.
Ainda não há informações sobre as causas do incêndio.
No último sábado (17), em Icó, aconteceu o lançamento do novo livro do escritor Gilson Moreira, “Fatos Pitorescos da Ribeira dos Icós”.
O evento foi realizado no térreo do histórico Sobrado do Barão, reunindo familiares, amigos e apreciadores da arte, da cultura e da história icoense. Em um ambiente marcado pela memória e pelo afeto, a obra foi apresentada como um verdadeiro resgate de causos, personagens e episódios que ajudam a contar a rica trajetória da Ribeira dos Icós.
A noite foi de celebração à literatura e à identidade local, reafirmando a importância de preservar e valorizar as histórias que formam a alma de Icó.
Após mais de 25 anos de negociações, o tratado econômico entre os países que compõem oMercosule a União Europeia(UE) foi assinado.
A cerimônia que ratificou o tratado aconteceu neste sábado (17/1), em Assunção, no Paraguai.
Estavam presentes Santiago Peña, presidente do Paraguai, Javier Milei, presidente da Argentina, Yamandú Orsi, presidente do Uruguai, Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, José Raúl Mulino, presidente do Panamá, Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.
Em seu discurso, Peña lembrou do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não foi ao evento, e disse que, "sem ele, não haveria acordo".
Já Paz e Milei aproveitaram a ocasião para prestar solidariedade ao povo venezuelano após a prisão de Nicolás Maduro.
Pelo lado europeu, Costa celebrou a assinatura do acordo em um mundo "cada vez mais turbulento" e von der Leyen destacou que a aliança dos blocos busca um "comércio justo no lugar de tarifas".
Após a assinatura, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) brasileiro divulgou uma nota oficial celebrando o acordo.
"Para o Mercosul, [o acordo] implica o acesso preferencial à UE, a terceira economia global, um mercado de 450 milhões de pessoas e cerca de 15% do PIB mundial", destacou o MDIC.
"A União Europeia eliminará tarifas para 92% das exportações do Mercosul, no valor aproximado de US$ 61 bilhões. Além disso, concederá acesso preferencial para outros 7,5%, equivalente a US$ 4,7 bilhões, beneficiando assim quase a totalidade das exportações do bloco para a UE", acrescentou a pasta.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou nota, estimando que o acordo aumenta o acesso brasileiro ao comércio mundial, de 8% para 36%.
"A assinatura do acordo é um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação da pauta exportadora e a integração internacional do país ao comércio global", destacou a CNI.
A assinatura do acordo, no entanto, não significa que ele já entrará em vigor.
Ele ainda precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países envolvidos, algo que pode enfrentar muitas resistências e gerar modificações na configuração final do tratado (entenda mais a seguir).
Para os brasileiros, analistas projetam que o acordo Mercosul-UE pode significar uma redução no preço de alguns produtos importados, como vinhos, azeites, queijos e lácteos.
Também é esperada a chegada de algumas marcas que não eram comercializadas no país, como a de alguns chocolates premium.
Uma redução de preços também poderá acontecer com outros itens, como veículos, medicamentos e insumos para o agro (como maquinários e produtos veterinários).
Já na exportação, a tendência é que produtos agropecuários e calçados brasileiros cheguem com mais facilidade (e menos taxas) aos países europeus.
As negociações entre os blocos tinham chegado a um impasse, que só foi destravado no final de 2025, quando o Parlamento Europeu aprovou salvaguardas para proteger produtos agrícolas europeus.
As salvaguardas são mecanismos que haviam sido sugeridos pela França como forma de proteger os agricultores do país contra uma possível invasão de produtos agrícolas do Mercosul, em especial de carne.
Elas definem em quais circunstâncias a União Europeia poderia suspender temporariamente as vantagens tarifárias concedidas ao Mercosul.
Por que Lula não participou do evento
Lula não esteve presente na cerimônia em Assunção.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e pelo G1, o governo brasileiro entendeu que o evento de assinatura deveria envolver apenas os representantes de Relações Exteriores dos países sul-americanos e foi elevado para o nível dos chefes de Estado a partir da iniciativa do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que atualmente ocupa a presidência do bloco sul-americano.
Peña, aliás, citou Lula em seu discurso durante a assinatura do acordo e destacou o presidente brasileiro como "fundamental" no processo de aproximação entre Mercosul e UE.
"Sem ele, esse acordo não seria possível", destacou o presidente paraguaio.
Lula se reuniu com von der Leyen, no dia anterior (16/1), no Rio de Janeiro.
Na ocasião, a presidente da Comissão Europeia celebrou o acordo e prometeu que "o melhor está por vir".
"É assim que a gente cria a prosperidade verdadeira, que é a prosperidade compartilhada. Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de zero a zero", pontuou ela.
Já Lula prometeu "padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente".
"Não nos limitaremos ao eterno papel de exportador de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado", discursou o presidente brasileiro.
EPA
Ursula von der Leyen e Lula se reuniram no Rio de Janeiro na sexta-feira (16/1), dia anterior à assinatura do acordo Mercosul-UE
O que é o acordo Mercosul-UE e quais impactos ele pode ter?
O acordo Mercosul-UE prevê a redução de tarifas comerciais e a facilitação de investimentos entre os dois blocos, que englobam mais de 700 milhões de pessoas e formarão uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
A principal expectativa é que a parceria alavanque o comércio entre os dois continentes e seja um instrumento de fortalecimento das duas regiões, em um mundo cada vez mais polarizado entre China e Estados Unidos.
O acordo prevê a redução de tarifas de importação, que pode ser imediata ou gradual (em até 15 anos), a depender dos setores.
Essa liberação vai atingir 91% dos bens que o Brasil importa da União Europeia e, do outro lado, 95% dos bens que o bloco europeu importa do Brasil.
Quando entrar em vigor, o acordo vai alavancar alguns setores brasileiros (principalmente o agronegócio) e pode prejudicar outros, mas governo e economistas têm uma visão otimista sobre o saldo desse impacto para o crescimento do país.
Além disso, pode beneficiar o consumidor, com o potencial barateamento de produtos importados, como azeites, queijos, vinhos e frutas de clima temperado (frutas secas, peras, maçãs, pêssegos, cerejas e kiwis).
Esse impacto, porém, vai ser gradual e pode ser compensando por outros fatores que afetam os preços dos produtos, como a taxa de câmbio, ressalta o economista Felippe Serigatti, pesquisador da FGV Agro.
Fernando Ribeiro, coordenador de estudos de comércio internacional do Ipea, ressalta que o principal impacto nos preços do consumidor será indireto, ao deixar a produção brasileira mais barata, devido à importação de máquinas e insumos a preços menores.
"E quando a gente vê os produtos cuja importação mais cresce [nas simulações sobre o impacto do acordo], são exatamente máquinas, equipamentos elétricos e outros itens usados como insumos para produção industrial", reforça Ribeiro.
Reuters
Setor agropecuário brasileiro deve ser um dos beneficiados pelo acordo Mercosul-UE
Um estudo divulgado em 2024 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que o acordo Mercosul-UE pode ter impactos positivos sobre o Produto Interno Bruto do Brasil (PIB).
Segundo a pesquisa, entre 2024 e 2040 o PIB do país teria um aumento acumulado de 0,46%, o equivalente a US$ 9,3 bilhões por ano.
Para elaborar o estudo, os pesquisadores do Ipea utilizaram projeções de crescimento econômico do Fundo Monetário Internacional (FMI) entre 2014 e 2026 e replicaram as taxas de crescimento para os anos seguintes, até 2040.
O estudo também aponta que o Brasil pode ter um aumento de 1,49% nos investimentos.
A dinâmica das importações e exportações também pode ser transformada.
As importações brasileiras pode crescer rapidamente nos primeiros anos do acordo, atingindo um pico de US$ 12,8 bilhões em 2034, antes de recuar para US$ 11,3 bilhões em 2040.
Já as exportações podem ter um aumento contínuo no mesmo período, alcançando um ganho acumulado de US$ 11,6 bilhões.
Esse movimento pode ser impulsionado por fatores como a redução de tarifas na União Europeia, concessões de cotas de exportação e queda nos custos domésticos de insumos e bens de capital, o que tornaria os produtos brasileiros mais competitivos no mercado global.
Quando o acordo com o Mercosul foi aprovado pelo Conselho Europeu, na primeira semana de 2026, von der Leyen também destacou os impactos positivos que isso traria para os países do continente.
"As exportações da UE para o Mercosul devem crescer quase 50 bilhões de euros [R$ 311,5 bilhões] até 2040, enquanto as exportações do Mercosul, por sua vez, poderão aumentar em até 9 bilhões de euros [R$ 56 bilhões]", calculou ela.
Críticas e resistências ao acordo Mercosul-UE
Nem todos os países estão satisfeitos com a assinatura do tratado.
A França lidera, ao lado da Polônia, Hungria, Áustria e Irlanda, o grupo que se opõe de forma contundente ao acordo.
Para muitos agricultores europeus, o acordo representa a abertura do mercado para uma concorrência desleal, já que esses produtos sul-americanos tendem a ser mais baratos em razão de custos trabalhistas e ambientais mais baixos.
Nos últimos dias, agricultores franceses voltaram a ocupar as ruas em protestos contra o acordo.
Cerca de 350 tratores invadiram a icônica avenida Champs-Élysées, em Paris (capital francesa), e acamparam nas proximidades do edifício do Parlamento.
Os protestos refletem um profundo mal-estar no setor agrícola francês, e a assinatura prevista do acordo entre a União Europeia e o Mercosul é vista como a gota d'água.
Os tratores de agricultores irlandeses também se fizeram ouvir nas últimas semanas. Dezenas ocuparam em massa as estradas de Athlone (Irlanda), no centro do país, exibindo faixas com slogans como "Pare UE-Mercosul" e a bandeira da União Europeia com a palavra "vendidos".
O mesmo ocorreu na Polônia, Hungria e Áustria: estradas bloqueadas, agricultores indignados e tratores nas capitais cobrando de seus parlamentares que reconsiderem um tratado negociado há 25 anos.
Reuters
Grupo protesta contra acordo em Varsóvia, na Polônia: alguns países da UE, liderados pela França, são contra a parceria com o Mercosul nos termos atuais
O temor generalizado em alguns países europeus é o de perda de renda em um setor submetido a normas de produção consideradas muito mais rigorosas do que as sul-americanas, o que implica custos mais elevados.
Especialistas concordam que as diferenças nas regras sanitárias e de bem-estar animal entre o bloco do Mercosul e o europeu são significativas. Na União Europeia, há normas rígidas sobre rastreabilidade, uso de pesticidas, hormônios e bem-estar animal.
Há receio de que produtos importados não cumpram padrões equivalentes, mas ainda assim concorram em preço, um ponto que gera rejeição tanto entre produtores quanto entre consumidores.
Embora o impacto no setor agropecuário europeu seja algo previsível, existem outros setores econômicos onde esses países podem se beneficiar do acordo com o Mercosul, apontam analistas.
É o caso, por exemplo, da indústria automobilística e de serviços. A Europa também pode ter um acesso ampliado aos minerais raros que vêm da América do Sul, o que diminuiria a dependência de importação desse material da China.
Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia concentram uma parte considerável dos recursos mundiais de lítio, grafite e níquel.
Getty Images
Serão eliminadas 90% das tarifas ao longo de um período de 10 a 15 anos
O acordo também é criticado pelas Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS), grupo que reúne lideranças sindicais da América do Sul, como a Central Única dos Trabalhos (CUT) do Brasil.
A entidade avalia que o tratado "não contempla direitos, proteção e desenvolvimento social para trabalhadores".
"Não há mecanismos de participação social e ameaça a estrutura produtiva da região", critica Quintino Severo, secretário adjunto de Relações Internacionais da CUT e secretário-geral da CCSCS.
"A perspectiva é de desindustrialização, menos produção nacional e maior dependência de produtos industrializados da Europa. Isso significa enfraquecimento da indústria local e perda de empregos de qualidade", complementa ele.
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) vê a assinatura como "um passo significativo para avançar na inserção internacional do Brasil e para o fortalecimento da indústria nacional".
Para a entidade, "o acordo deve promover impactos mais significativos sobre os investimentos bilaterais, ao ampliar a previsibilidade regulatória, reduzir barreiras tarifárias e fortalecer disciplinas relacionadas à facilitação de comércio e investimentos".
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Algumas entidades brasileiras veem acordo Mercosul-UE como impulso à indústria, enquanto outras alertam para risco de desindustrialização do país
Reforço ao multilateralismo
Uma vez plenamente implementado, o acordo significará que os exportadores da União Europeia economizarão cerca de US$ 4,6 bilhões (aproximadamente R$ 24,7 bilhões) por ano em tarifas, principalmente em produtos químicos e farmacêuticos, máquinas industriais em geral e automóveis.
Mas, para muitos analistas, o acordo do Mercosul é mais estratégico do que macroeconômico e ajudaria a reduzir a influência chinesa na região.
"As implicações econômicas e os benefícios para empresas de capital aberto são modestos, mas o acordo comercial fortalece a posição geopolítica da União Europeia na América do Sul", avalia Nenad Dinic, do Equity Strategy Research da Julius Baer (Suíça).
Max Maton, economista da Oxford Economics, no Reino Unido, concorda com este ponto: "O impacto econômico total do acordo será modesto se for aprovado definitivamente. No entanto, politicamente, ele reflete um compromisso com o multilateralismo e o livre comércio, que parece estar em declínio diante das crescentes tensões geopolíticas, da transição para acordos bilaterais e da chegada de Trump [presidente dos Estados Unidos, que assumiu o cargo em 2025]."
*Com reportagem de Cristina J. Orgaz, da BBC News Mundo, e Mariana Schreiber e Leandro Prazeres, da BBC News Brasil
Ela alcançou 980 pontos, a maior nota na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), edição 2025, em Quiterianópolis. A jovem é Maria Emanuely Gomes Lima, 17 anos, residente na localidade Alegre, zona rural do município.
Filha de um agricultor e serralheiro e de uma funcionária pública, a jovem concluiu o ensino médio em 2025, na escola estadual Maria José Coutinho, e sempre estudou em escola pública. Desde muito cedo, se destaca com um excelente rendimento escolar.
Mas, o destaque vai além dos conteúdos curriculares. A jovem, também, coleciona outras conquistas, como o Prêmio Peteca em nível estadual, nos anos 2018 e 2021, medalha ouro na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética (ONEE), além de presidir o Grêmio Estudantil, de 2023 a 2025, e engajamento em projetos sociais.
Emanuely Gomes relata que montou uma rotina de estudos que conciliava as aulas do terceiro ano, os estudos para o Enem e a vida social. “Pela manhã, ia para a escola e tentava absorver o máximo de conteúdo possível. Em casa, os estudos começavam por volta das 13h. Às vezes, chegava estudar 8h por dia. Mas tentava sempre ter uma rotina equilibrada”, comentou.
Indagada sobre planos para a vida acadêmica, a estudante adiantou que pretende ingressar no curso de Direito.
A Polícia Rodoviária Federal do Estado do Ceará, nega rumores sobre a desativação da Unidade Operacional situada no KM 207,4 da BR-020, na cidade de Boa Viagem.
Nos últimos meses, motoristas que passam costumeiramente pelo posto, relataram ao Blog do Wilrismar a ausência de movimentação do efetivo e de viaturas, alimentando as especulações sobre o fim das operações de fiscalização no local.
PRF esclarece
A reportagem entrou em contato com o Núcleo de Comunicação Institucional da PRF no Ceará, que encaminhou uma Nota Oficial esclarecendo que a Unidade Operacional não foi desativada, no entanto, a falta de efetivo alterou a estratégia de fiscalização, que agora é feita no trajeto da rodovia federal, com o apoio e reforço de outras unidades.
Veja a Nota encaminhada pela PRF ao Blog do Wilrismar
"Em atenção à solicitação, informamos que a Unidade Operacional (UOP) da Polícia Rodoviária Federal em Boa Viagem (CE) não foi desativada e permanece em funcionamento, reafirmando o compromisso institucional com a segurança viária e com a prestação de um serviço público de qualidade à população que utiliza as rodovias federais na região.
Embora a regional ainda não disponha do efetivo considerado ideal para garantir cobertura total da malha viária sob sua responsabilidade, os esforços têm sido direcionados de forma estratégica e planejada, com prioridade para a presença policial e o atendimento nos trechos considerados mais críticos da BR-020, definidos a partir de análises técnicas, dados de sinistralidade e fluxo de veículos.
A UOP segue operando dentro das possibilidades atualmente disponíveis, garantindo atendimento às ocorrências e às ações de fiscalização. Além disso, a região conta com o suporte de um Grupo de Fiscalização de Trânsito (GFT), que atua de forma dinâmica e itinerante em pontos estratégicos da rodovia, complementando as atividades desenvolvidas pela Unidade Operacional de Boa Viagem.
Essa atuação estratégica possibilita o reforço do patrulhamento, a intensificação das fiscalizações e a ampliação das ações de enfrentamento a condutas irregulares e ilícitos, assegurando a presença da PRF ao longo da BR-020.
As medidas adotadas têm como objetivo otimizar os recursos disponíveis, ampliar a cobertura operacional e fortalecer a segurança viária, mantendo a atuação da PRF de forma contínua e alinhada às necessidades da região.
Atenciosamente,
Polícia Rodoviária Federal – PRF
Núcleo de Comunicação Institucional da PRF no Ceará"
Em 2006, TCU apontou necessidade de aumento no efetivo da Polícia Rodoviária Federal
Em 2006, o TCU recomendou (Recomendação nº 353/2006 – processo nº 008.392/2004-8) que o órgão contasse com 18.172 policiais para atender à demanda nacional. Hoje, a PRF opera com apenas 13.098 agentes em todo o país – um déficit que ultrapassa 5.000 profissionais.
O cenário se agrava diante do crescimento desproporcional entre a infraestrutura e a capacidade de fiscalização. Enquanto a frota veicular brasileira aumentou mais de 200% nos últimos 20 anos, o número de policiais rodoviários em Minas Gerais, por exemplo, caiu 31% no mesmo período.
Os dados, levantados pelo Sindicato da PRF de Minas Gerais (SINPRF/MG), foram enviados ao Ministério Público Federal em novembro de 2024, no Ofício 10/2024. O documento alerta para os “impactos na prestação de serviços à sociedade” e critica a falta de atualização de estudos sobre o efetivo no estado desde 2017.
“Não há como negar a relação direta entre a escassez de agentes e o aumento de riscos nas estradas. A redução de efetivo, somada ao crescimento da frota e da extensão rodoviária, cria um cenário de vulnerabilidade”, afirma o SINPRF/MG no ofício.
Então Ministro da Justiça Ricardo Lewandowski defendeu ampliação do efetivo
Em audiência na CPI do crime organizado realizada no último dia 09 de dezembro, no Congresso Nacional, o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que deixou o cargo início de 2026, alertou para os efetivos reduzidos da Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).
“Nós temos, efetivamente, falta de efetivos. Nós temos somente 13 mil homens na Polícia Federal. E, aproximadamente, o mesmo número de integrantes na Polícia Rodoviária Federal, para cuidar de um país continental como este”, alertou.
Recentemente, o ministro ressaltou a necessidade de dobrar o número de polícias federais, seja da PF, PRF e PPF, em seus respectivos quadros profissionais.
A Praia do Futuro é o cenário do maior pré-carnaval do Ceará. A barraca Santa Praia e o bloco Liso Bar se uniram e estão trazendo ao Ceará os mais famosos do samba, do axé e do carnaval.
A festa é comandada por Colombo Cialdini, nome conhecido no mundo do entretenimento.
Camisa, copo e festa com 15 horas de duração.
🎭🔥Programação do Pré Carnaval do Li$0 BAR na Santa Praia dia 07/02:
O Governo do Ceará, em parceria com o Ministério da Saúde (MS), participou, neste sábado (17), do início do Dia D de vacinação contra a dengue. A ação nacional foi realizada, primeiramente, em três municípios: Maranguape, Nova Lima (MG) e Botucatu (SP). A iniciativa, voltada para pessoas entre 15 e 59 anos, utiliza vacinas produzidas pelo Instituto Butantan.
O momento foi comandado pelo governador Elmano de Freitas; ao lado do ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda; da secretária da Saúde, Tânia Mara Coelho; do prefeito de Maranguape, Átila Câmara; entre outras autoridades.
“A partir do sucesso, aqui em Maranguape, os caminhos para a estratégia para combater a dengue serão clareados em todo Brasil. Vamos dar as mãos para vacinar o máximo de pessoas. Dá muito orgulho saber que nós brasileiros desenvolvemos a vacina contra a dengue. Muito obrigado aos profissionais de saúde de Maranguape”, destacou o governador Elmano de Freitas
Maranguape foi uma das cidades escolhidas pelo seu porte populacional, além de outros quesitos como a capacidade técnica, operacional e logística do município.
“O Ceará é um verdadeiro parceiro do MS em diversas ações, em prioridades para o presidente Lula. Não é à toa que escolhemos a cidade de Maranguape e por isso também agradeço ao prefeito. Aqui temos uma estrutura de saúde que nos permite fazer esse acompanhamento. Essa é a primeira vacina para a dengue produzida 100% no Brasil, além de ser uma vacina em dose única”, salientou Adriano Massuda.
A ação integra um planejamento nacional, com o objetivo de imunizar a população de forma estruturada e com garantia de acesso, ampliando de maneira gradual a cobertura conforme a disponibilidade de doses.
A titular da Sesa, Tânia Coelho, lembrou a representatividade e a importância de campanhas de vacinação para a nossa sociedade. “Hoje é um grande evento. Muito obrigado prefeito, por nos dar essa força e se organizar em prol do que está acontecendo hoje. Queremos ampliar cada vez mais a imunização para a nossa população. Temos que sempre lembrar: vacina é vida. Aqui no Brasil conseguimos produzir vacina de qualidade e que já mostrou sua eficácia”, disse
Ao longo de toda a campanha, serão recebidas 60.125 doses somente em Maranguape, com a meta de vacinar, já na primeira semana, cerca de 41% dos imunizantes destinadas ao município.
Prefeito de Maranguape, Átila Câmara, agradeceu o apoio do governador Elmano de Freitas e comemorou a escolha do município para sediar o início da vacinação. “Gostaria de agradecer o governador por tudo que tem sido feito por Maranguape. Este governador que é o governador que mais investiu na história do nosso município. A dengue é uma doença muito lesiva e é por isso que devemos seguir combatendo essa doença. A vacina salva”, pontuou.
Cuidado
Feirante, Francisco Gerson, 54, soube pertinho do local da campanha que estaria acontecendo a vacinação. Rapidamente, o morador de Maranguape foi se imunizar. “Essa campanha é algo muito positivo. Saúde é algo indispensável. Por isso que estou aqui para tomar minha vacina”, contou.
Lucia da Silva, 48, foi mais uma moradora de Maranguape que aproveitou a campanha para se vacinar. “Vou tomar a minha vacina e já avisei ao resto da minha família para vir também. Minha filha, que está sempre nas redes sociais, também está divulgando. Isso é ótimo para todos nós”, disse.
Campanha estadual
Em 2026, a Secretaria da Saúde planejou uma campanha para todos os municípios cearenses. Com público-alvo para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, a ação visa consolidar a imunização contra a dengue.
Em relação a 2024, houve uma queda de aproximadamente 60% nos números de casos de dengue em 2025. O resultado é fruto de uma série de ações coordenadas por parte da Sesa.
Em clima de Carnaval, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizou mais um encontro do programa Ceará de Valores, neste sábado (17/01), em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú (macrorregião Grande Fortaleza) e Aracoiaba (macrorregião Maciço de Baturité). A iniciativa é realizada em parceria com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec). Na capital do Estado, o evento ocorreu no auditório Murilo Aguiar da Alece e os estudantes foram recepcionados com ritmos percussivos carnavalescos da Charanga do Tio Marcão, além de sorteio de notebooks durante o evento.
O presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri (PSB), esteve presente e ressaltou o êxito do programa na capacitação de 16 mil jovens cearenses. “A gente está em pleno sábado realizando essa ação em que milhares de estudantes estão sendo capacitados. Essa é a primeira chance de muitos aqui que pretendem ser muito mais na vida. E a Alece está dando a sua contribuição social, fazendo esse programa com muita transparência”, enfatizou o presidente.
O ronco dos motores das máquinas de terraplanagem na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), em Caucaia, soa diferente nesta semana. Ele anuncia não apenas o início de uma construção civil, mas a virada de chave econômica para o Ceará. Tiveram início oficial as obras do Data Center da gigante de tecnologia ByteDance (controladora do TikTok), um projeto liderado pela Omnia que promete transformar o perfil industrial do Complexo do Pecém.
O início das intervenções no terreno representa a materialização de meses de negociações estratégicas.
Para Caucaia, o empreendimento significa a migração de uma economia baseada em indústria tradicional e logística para a indústria 4.0. A chegada de um Data Center de "hiperescala" (grande porte) funciona como um ímã, atraindo toda uma cadeia de serviços qualificados, startups e infraestrutura de ponta para a região.
Para o estado do Ceará, a obra valida a estratégia do "Hub Tecnológico". O estado, que já é o ponto de chegada dos cabos de fibra óptica intercontinentais, agora passa a ter capacidade de processar e armazenar esses dados em solo cearense, gerando riqueza local a partir do ativo mais valioso do século XXI: a informação.
Corrida contra o tempo: Operação em 2027
O cronograma é ambicioso e reflete a urgência do mercado global de tecnologia. Segundo o planejamento apresentado, o projeto tem um prazo de execução acelerado de 18 meses.
A expectativa oficial é que a infraestrutura física esteja concluída e os servidores comecem a rodar e processar dados em setembro de 2027. Até lá, o canteiro de obras deve gerar centenas de empregos diretos na construção civil e montagem eletromecânica, preparando o terreno para a operação de alta tecnologia que virá na sequência.
Sinergia Institucional
O sucesso da aterrissagem desse investimento em Caucaia é fruto de um alinhamento preciso entre o poder público municipal, a gestão estadual e a iniciativa privada.
Um registro fotográfico feito no canteiro de obras simboliza essa união de forças (veja imagem acima). À esquerda, o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim, celebra o impacto econômico e a geração de renda para o município. Ao centro, está o Diretor-Chefe de Engenharia, executivo responsável por garantir que a complexa obra seja entregue dentro do rigoroso prazo estipulado.
À direita na imagem, figura o Secretário da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (SETEC) de Caucaia. Peça-chave nos bastidores, o Secretário foi o responsável por toda a interlocução institucional entre a prefeitura e o consórcio TikTok/Omnia. Sua atuação foi decisiva para destravar processos, garantir a viabilidade técnica na ZPE e assegurar que o município estivesse preparado regulatoriamente para receber um gigante global de tecnologia.
Com as máquinas na pista e o cronograma definido, Caucaia inicia sua contagem regressiva para se tornar, em 2027, uma das capitais digitais do hemisfério sul.
Em Portugal, ocorre a campanha para eleger o novo presidente da República. A votação será no domingo, 18 de fevereiro. São 11 candidatos, o maior número da história, e há previsão de segundo turno, caso nenhum alcance 50% mais um dos votos.
A anormalidade da campanha é o volume de desinformação. Foram identificadas, por dia, mais de 8 milhões de notícias falsas, conhecidas entre nós, no Brasil, como fake news. O levantamento é do Labcom – Laboratório de Comunicação da Universidade de Portugal.
Os números impressionam e revelam o peso das fake news nas eleições. O eleitor vai às urnas sem saber quem fala a verdade. O ódio entre pessoas e partidos abriu espaço para “influencers”, escritórios e profissionais especializados em desconstruir fatos e implantar a desinformação.
No Brasil, o problema é ainda mais grave. Cerca de 90% das informações que circulam nas redes sociais não são verdadeiras. Vereadores, deputados e senadores estão sendo eleitos por meio das fake news, uma ferramenta que, com ajuda de influenciadores, movimenta bilhões de reais.
O nível de escolaridade, a checagem da informação e a denúncia nas próprias redes sociais ajudam no combate à desinformação. Em vários países europeus e nos Estados Unidos, as fake news começam a perder força. Especialistas afirmam que o presidente Trump, nos Estados Unidos, Javier Milei, na Argentina, e Nicolás Maduro foram os últimos a se eleger com esse tipo de estratégia.
O escândalo do Banco Master provocou um efeito surpreendente. Todos os poderes da República parecem unidos para que nada aconteça. A Polícia Federal descobriu que o banco foi criado por ex-dirigentes do Banco Central. Os clientes incluem figurões do poder, grandes empresários, empresas do mercado financeiro, a Faria Lima e a Bolsa de Valores.
A tese final é simples: nada vai acontecer. O contribuinte pagará a conta de R$ 62 bilhões em recursos públicos que teriam sido desviados. A mais nova acusação contra o Master é a existência de mais de 242 mil aposentados fantasmas, além de empresas usadas para desviar cerca de R$ 2 bilhões. O golpe é ousado.