quinta-feira, 5 de março de 2026

Chagas diz que Ciro é “mentiroso e papo furado”


Chagas Vieira quer atrair Ciro para o debate: “O Ciro é papo furado. Se uniu a mentirosos, à turma do contra o Ceará”. Para Chagas, a proposta de Ciro é “transformar o Ceará no caos e não vai conseguir”.

O secretário da Casa Civil, Chagas Vieira, iniciou uma onda forte em defesa da verdade nas redes sociais. “É preciso colocar a verdade. O cara vai na porta da prefeitura de uma cidade, diz que o prefeito fugiu com medo. O prefeito aparece na porta e informa que está tudo normal e o cara faz mentira. Isso é absurdo”, afirma Chagas Vieira para justificar sua entrada no debate nas redes sociais.

Chagas Vieira diz que o que Ciro fala nunca é verdade. Cita que Ciro elogiava Camilo em 2014, 2018 e até julho de 2022, antes da convenção que lançou Elmano. Depois foi para o outro lado porque queria a candidatura de Roberto Cláudio, que dividia a base. “O Camilo é o melhor, sério, honesto, amigo, simples, trabalhador e o melhor governador dos anos vinte. Agora nega tudo”, disse, classificando as críticas de Ciro como “papo furado”.

A fala de Chagas Vieira sobre “Ciro papo furado” tem o objetivo de colocar para a sociedade o jogo político da extrema-direita e atrair Ciro para o debate sobre “mentiras e verdades”.

Alece anuncia Cid Gomes e Camilo Santana como agraciados com a Medalha Virgílio Távora


A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) anuncia os agraciados com a Medalha Virgílio Távora 2026: o senador Cid Ferreira Gomes e o ministro da Educação, Camilo Santana. Os requerimentos, de autoria do presidente da Casa, deputado Romeu Aldigueri (PSB), foram aprovados pela Mesa Diretora e subscritos por 25 parlamentares.

A comenda é concedida a políticos que tenham se destacado por serviços prestados ao País e em defesa da democracia. Ao conceder a honraria, a Alece reafirma o reconhecimento a lideranças que contribuem para projetar o Ceará nacionalmente e fortalecer o compromisso com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento e ao interesse coletivo. A data da cerimônia de entrega será divulgada posteriormente.

Para o presidente da Assembleia, as trajetórias dos dois homenageados representam contribuições relevantes à gestão pública e ao desenvolvimento do Ceará nas últimas décadas.

“Quando falamos em projeto, falamos em continuidade, em resultados e em políticas públicas que obedecem a uma lógica. O Ceará aprendeu isso com Virgílio Távora, deu saltos de qualidade com Cid Gomes e refinou sua capacidade técnica com Camilo Santana. Não foi por acaso que ambos foram chamados para assumir um ministério fundamental como o da Educação. Isso decorre de trajetórias marcadas por trabalho, pragmatismo e responsabilidade com a continuidade das políticas públicas”, destacou Romeu Aldigueri.

*Perfil dos homenageados*

Camilo Santana é engenheiro agrônomo, professor e servidor público federal concursado, com atuação no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No Ceará, foi secretário do Desenvolvimento Agrário, deputado estadual e secretário das Cidades. Eleito governador em 2014 e reeleito em 2018, conduziu uma gestão marcada por planejamento, responsabilidade fiscal e avanços em áreas estratégicas. Em 2022, foi eleito senador da República e, em seguida, convidado a assumir o Ministério da Educação.

Cid Ferreira Gomes, natural de Sobral, é engenheiro civil. Foi eleito deputado estadual em 1990 e reeleito em 1994, período em que presidiu a Assembleia Legislativa. Em 1996, tornou-se prefeito de Sobral, cargo que exerceu por dois mandatos, iniciando um processo de transformação da educação pública municipal que se tornaria referência nacional. Governador do Ceará entre 2007 e 2014, liderou investimentos estruturantes e políticas voltadas à interiorização da saúde, à expansão da rede educacional e ao fortalecimento da infraestrutura estadual. Também exerceu o cargo de ministro da Educação e atualmente é senador da República.

*A comenda*

A Medalha Virgílio Távora leva o nome de uma das figuras mais influentes da história política e administrativa do Ceará. Governador do Estado por dois mandatos (1963-1966 e 1979-1982), deputado federal (1951-1959 e 1967-1971) e senador da República (1971-1979), Virgílio Távora destacou-se pela atuação decisiva na formulação de políticas de desenvolvimento e no processo de modernização do Ceará. Seu legado está associado à implantação de projetos estruturantes e à consolidação de uma cultura de planejamento e gestão pública que marcou a trajetória recente do Estado.


📸 Júnior Pio

O avanço de Manoela Pimenta no Sertão Central


A delegada do Ministério da Agricultura no Ceará, Manoela Pimenta, consolidou candidatura à Assembleia Legislativa. Será votada em toda a região.

O Sertão Central é composto por 13 municípios, tem cerca de 400 mil habitantes e aproximadamente 270 mil eleitores. A região não tem representantes na Alece e, na Câmara Federal, costuma votar em candidatos de fora da região.

O encontro de Cid com Romeu Aldigueri em Brasília


De repente, Cid Gomes e Romeu Aldigueri surgem conversando em Brasília. Apuração feita pelo blog Roberto Moreira descobriu se tratar de uma tática eleitoral, priorizando a distribuição espacial das candidaturas para eleger uma grande bancada de deputados federais.

Articulado e com visão ampla, Aldigueri construiu sua candidatura a deputado federal sem criar dificuldades com os atuais deputados da base, ressaltando o valor de vereadores e gestores municipais.

Esse novo papel de Cid é buscar espaços para potenciais candidatos como Antônio Martins, Roger Aguiar e outros nomes que estão na praça. Na visão de Cid, precisam de mais apoios. É o mapa da eleição se desenhando.

Felipe Mota cobra mais água do São Francisco


O deputado Felipe Mota (União) reclamou da baixa vazão da Transposição do Rio São Francisco para abastecimento hídrico destinado ao Ceará.

Conforme explicou o parlamentar, ficou acertado com o setor produtivo que a transposição liberaria uma vazão de 10 metros cúbicos por segundo (10 m³/s), mas não é o que vem acontecendo na prática. “Atualmente, só estão sendo liberados dois metros cúbicos por segundo”, denunciou.

Para Felipe Mota, a união do governador, senadores, deputados estaduais e federais se faz necessária para que haja uma conversa com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para cobrar o que foi acertado. “Precisamos lembrar ao ministro que o Ceará precisa dessa água”, defendeu.

Elmano gripou


A virose que atinge a população neste período de chuva chegou ao governador Elmano, que praticamente perdeu a voz e está com tosse. Elmano cancelou agenda pública até sexta-feira (6).

Guimarães e a briga com a extrema-direita


O Congresso Nacional não trabalha. É uma vergonha. Alguns deputados só tratam de INSS e Banco Master por interesses pessoais e políticos.

Segundo o deputado José Guimarães, foram impedidas votações importantes, como projetos ligados aos Data Centers, considerados estratégicos para o Nordeste e para o Ceará. A Medida Provisória dos incentivos também caducou.

Guimarães reclamou e cobrou reação do Parlamento. Também voltou a criticar a demora na votação da PEC da Segurança, que está há um ano na pauta do Congresso sem avançar. 

Camilo Santana controla 27 dos 28 municípios do Cariri e 47% dos eleitores de Juazeiro


Iniciei um roteiro de viagens pelo Ceará e pretendo colocar aqui a minha visão sobre o que presenciei em eventos políticos, nas gestões administrativas e também um olhar sobre as principais cidades. Começo pelo Cariri, que percorri até o município de Jardim, no extremo sul do Estado, na divisa com Pernambuco.

Dos 28 municípios da região caririense, 27 estão na base do Governo Elmano de Freitas, pelas mãos habilidosas do ministro Camilo Santana, que administra essa influência dividindo territórios políticos com aliados. E tem dado certo. Existe uma ponta de ciúme em relação ao deputado Fernando Santana. É natural. O secretário de Recursos Hídricos tem laços familiares, é amigo de infância e de todas as horas de Camilo Santana.

Juazeiro do Norte foi governado pela direita em quase toda a sua existência, desde o início, com Padre Cícero, que fundou e governou o município por 14 anos. Teve dois prefeitos de esquerda. Mauro Sampaio é considerado o melhor prefeito após Padre Cícero. Manoel Santana, do PT, teve uma das piores avaliações, dividindo o título com o atual gestor, Glêdson Bezerra, filiado ao Podemos. Juazeiro enfrenta problemas graves: lama, buracos, ruas que parecem lagoas e sujeira.

“O Camilo é um líder que conversa, não agride, une”, descreve o prefeito de Barbalha, Guilherme Saraiva, no segundo mandato, que entrou na política pelas mãos de Fernando Santana, seu candidato a deputado federal. Para o prefeito do Crato, André Barreto, Camilo é o maior líder da história do Cariri e será por muito tempo, pela inteligência, por ser agregador e por ter erguido um novo Cariri. O ex-prefeito Raimundão diz que Camilo Santana “é imbatível no Cariri”.

As novas lideranças da região estão com o ministro Camilo Santana, Cid Gomes, José Guimarães e com os deputados estaduais Fernando Santana, Davi de Raimundão e Guilherme Landim. O único deputado federal da região é Yuri do Paredão, um jovem popular que deve voltar ao Congresso com cerca de 300 mil votos, sendo visto como futuro candidato ao Senado ou ao Governo do Estado.

Exportações cearenses crescem para países da Ásia, principalmente China, Índia e Japão, em 2025

As exportações do Ceará para o bloco de países da Ásia (inlcusive o Oriente Médio) somaram US$ 164,34 milhões em 2025, crescimento de 7,14% em relação a 2024, quando o total foi de US$ 153,39 milhões. Asexportações cearenses  foram para 28 países do bloco, sendo a China o principal destino, com US$ 86,49 milhões; seguido por Índia, com US$ 15,52 milhões, e Japão, com US$ 15,34 milhões. Esses valores por países, comparados com 2024, cresceram 50,43%, 106,58% e 35,89%, respectivamente.

De forma geral, o Ceará exportou para 149 diferentes países em 2025, sendo que, para os Estados Unidos, foram vendidos US$ 1,05 bilhão (principal destino), participação de 46% na pauta de exportações cearenses, resultado de um crescimento de 59,5% em relação ao ano de 2024. México  (US$ 162,3 milhões), Itália (US$ 93,0 milhões), Países Baixos (Holanda), com US$ 90,4 milhões)aparecem em seguida. Juntos com os Estados Unidos tem participação de 61,1% da pauta das esportações do Ceará no ano passado.


Ao comparar com o total exportado pelo Ceará em 2025 (para os 149 paíes), a  China foi o quinto principal destino, participando com 3,8% das exportações totais cearenses, com 52,6% das exportações cearenses para o bloco asiático, mas com apenas 0,09% das exportações brasileiras para esse país. A Índiaocupou o 18º principal destino, com apenas 0,68% das exportações totais cearenses, com 9,4% para o bloco asiático e com apenas 0,23% das exportações brasileiras para esse país. 


Por sua vez, o Japão ficou em 20º lugar no destino das exportações estaduais e como terceiro principal destino das exportações cearenses. Participou com apenas 0,67% das exportações totais cearenses e com 9,3% das exportações cearenses para o bloco asiático. Vale destacar que a participação conjunta da China, Índia e Japão foi de 5,14% nas exportações totais cearenses e de 71,4% das exportações cearenses para o bloco asiático em 2025, revelando forte concentração das vendas estaduais em apenas três países de destino dentro do bloco.



Os dados, com base em informações do Ministério  do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), estão no Ipece Informe (Nº 276 – janeiro/2026) – Evolução do Comércio Exterior Cearense com a Índia  - 2015 a 2025, que acaba de ser publicado pela Diretoria de Estudos Econômicos (Diec), que tem como titular o professor Ricardo Pereira, do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). O trabalho, quetem como autor Alexandre Lira, anaçlista de Políticas Públicas do Ipece, já pode ser acessado, na íntegra, na página do Ipece.

 

IMPORTAÇÕES

 

De acordo com Alexsandre Lira Cavalcante, o Ceará importou produtos de 92 países diferentes em 2025. A China aparece como principal origem das importações cearenses cujo valor foi de US$ 880,3 milhões e participação de 32,2%, em 2025, seguida pelos Estados Unidos (US$ 478,9 milhões; 17,5%) e Argentina (US$ 153,5 milhões; 5,6%). A participação conjunta desses três países no total da pauta de importações cearenses atingiu 55,3% em 2025. A China participou com 32,2% das importações totais cearenses, com 71,0% das importações cearenses vindas do bloco asiático e com 1,24% das importações nacionais vindas desse país.

Já o Japão aparece como segundo principal país de origem das importações cearenses vindas do bloco asiáti, com valor de US$ 86,5 milhões em 2025 e como sétimo principal país de origem das importações cearenses. Com isso, o Japão participou com apenas 3,16% das importações totais cearenses e com 7,0% das importações cearenses vindas do bloco asiático. Para fechar as três primeiras colocações do bloco asiático – observa - , a Índia aparece como terceiro principal país de origem das importações cearenses vindas do bloco asiático com valor importado de US$ 80,1 milhões em 2025, mas como oitavo principal países de origem das importações cearenses.

Com isso, a Índia participou com apenas 2,93% das importações totais cearenses e com 6,5% das importações cearenses vindas do bloco asiático e com 0,96% das importações nacionais vindas desse país. Vale destacar que a participação conjunta da China, Japão e Índia foi de 38,3% nas importações totais cearenses e de 84,5% das importações cearenses vindas do bloco asiático em 2025, revelando também forte concentração das compras cearenses oriundas desse bloco – finaliza o Analista de Políticas Públicas. 


quarta-feira, 4 de março de 2026

Cinco apostadores do Ceará vão dividir a Mega Sena de R$ 158 milhões

Lotérica Sorte Mais Brasil, no Eusébio, vendeu o bolão que levou R$ 158 milhões na Mega-Sena. — Foto: Lotéria Sorte Mais Brasil/Divulgação

Os cinco vencedores do bolão que levou R$ 158 milhões ao acertar as seis dezenas da Mega-Sena gastaram apenas R$ 16,20, cada um, para fazer a aposta. Os jogadores provavelmente não se conhecem entre si, pois compraram separadamente cotas do bolão oferecidas na unidade lotérica.

Como o bolão tinha cinco cotas, cada apostador deve receber o prêmio de R$ 31,6 milhões. O sorteio do concurso 2.979 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (3). 

O bilhete premiado foi vendido na lotérica Sorte Mais Brasil, no município de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza. O bolão sorteado foi feito pela própria lotérica, em modalidade na qual cada participante compra uma cota sem precisar conhecer os outros apostadores. 

Também chamado de “bolão lotérico”, esse formato tem números aleatórios escolhidos pelo sistema. 

Segundo Custódio Albano Júnior, proprietário da Sorte Mais Brasil do Eusébio, o bilhete premiado foi um bolão lotérico com dez jogos de seis números, dividido em cinco cotas (cinco apostadores) e vendido presencialmente na unidade, que fica no Centro.

Na prática, funciona assim: 

A participação no bolão lotérico é geralmente oferecida pelos próprios funcionários da unidade, em momentos como quando o usuário está no caixa.

Cada pessoa comprou uma das cinco cotas para participar do bolão feito pela lotérica, topando dividir o prêmio com outras quatro pessoas.

Cada uma dessas pessoas pagou R$ 16,20,contribuindo com uma aposta total do bolão, que custou R$ 81 reais. 

Nessa modalidade, cada apostador recebe um recibo pela cota comprada. Assim, cada vencedor poderá apresentar seu recibo para receber seu prêmio, sem depender dos demais jogadores. 

No bolão premiado, havia dez jogos. Ou seja, dez sequências diferentes de números para tentar acertar aqueles que seriam sorteados. 

Em cada um dos dez jogos, havia seis dezenas. Como a Mega faz o sorteio de seis dezenas, o jogo de seis dezenas é o mais simples e mais barato. É possível fazer jogos com mais números (por exemplo, um jogo com oito dezenas), que são mais caros e aumentam as chances para o apostador.

Senadores homenageiam Maria da Penha por sua atuação em defesa da mulher

O Senado recebeu, na tarde desta quarta-feira (4), a visita da farmacêutica e ativista pelos direitos da mulher Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome à norma que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar. Em agosto, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. 

O presidente Davi Alcolumbre definiu Maria da Penha como uma das pessoas mais importantes do país na causa da defesa das mulheres. Ele elogiou a ativista pela coragem de externar sua luta contra a violência doméstica. Davi ainda disse apoiar incondicionalmente a luta contra o feminicídio e afirmou que a pauta das mulheres deve estar na agenda prioritária do Congresso Nacional

— Maria da Penha é um exemplo de luta, de coragem e de resiliência na defesa da vida das mulheres — declarou. 

No Plenário, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse esperar que Maria da Penha seja vista como uma virada de página no combate à violência doméstica. Para Mara Gabrilli (PSD-SP), o exemplo de Maria da Penha impulsiona a luta de todas as mulheres. O senador Cleitinho (Republicanos-MG) também destacou a presença da ativista e cobrou penas mais duras para o crime de feminicídio. 

Maria da Penha também visitou a Procuradoria Especial da Mulher. Ela destacou a importância da legislação a favor das mulheres, mas lamentou os casos de impunidade que ainda persistem no país. Maria da Penha ainda pediu uma mudança de cultura, que inicie com as crianças nas escolas, para que o país possa realmente combater a violência doméstica.

— Nenhuma criança nasce racista, machista ou homofóbica. Se ela convive numa comunidade assim, vai aprender a ser assim. Precisamos desconstruir esse entendimento, para romper essa matança e para que a Justiça seja mais célere. Precisamos de pessoas comprometidas com a justiça — registrou Maria da Penha. 

A procuradora da Mulher, senadora Augusta Brito (PT-CE), disse que o combate à cultura do machismo é uma luta de todos, homens e mulheres. Na visão da senadora, o exemplo de Maria da Penha é uma inspiração para que todos sigam combatendo com efetividade a violência que vem matando as mulheres. 

— Maria da Penha usou da sua dor para inspirar uma lei e essa lei fazer a diferença na vida de tantas mulheres. Ela nos serve de exemplo e nos enche de orgulho — disse a senadora. 

As senadoras Jussara Lima (PSD-PI), Leila Barros (PDT-DF), Ivete da Silveira (MDB-SC), Margareth Buzetti (PP-MT) e Dra. Eudócia (PL-AL) também acompanharam a visita de Maria da Penha na Procuradoria da Mulher. 

Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha é considerada um marco legislativo no combate à violência doméstica e familiar contra mulheres no Brasil. A legislação define formas de violência (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral), cria medidas protetivas de urgência e endurece punições contra agressores.

Na década de 1980, Maria da Penha sofreu duas tentativas de feminicídio por parte do seu então marido. Por conta das agressões sofridas, ela ficou paraplégica. A luta de Maria da Penha em favor dos direitos das mulheres e contra a violência doméstica foi fundamental para a criação da lei que leva seu nome.

Girão cobra CPMI para investigar escândalo do Banco Master ​


Em pronunciamento no Plenário nesta quarta-feira (4), o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que os desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga o escândalo do Banco Master, indicam a existência de um esquema grave de corrupção e atuação de crime organizado que precisa ser investigado pelo Congresso Nacional. O senador defendeu a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso.

— Tem muita coisa a vir à tona ainda, e é por isso que nós conclamamos o povo brasileiro, os cidadãos de bem desta nação, a se posicionarem junto aos seus representantes aqui no Senado e na Câmara dos Deputados, porque é para ontem a instalação da CPMI do Banco Master. O presidente Davi Alcolumbre tem dois caminhos, ele escolhe. Ele é o presidente do Senado e é o presidente do Congresso Nacional; o que não pode é não decidir — disse.

O senador também lamentou a existência de uma estrutura que atua com estratégias de intimidação contra jornalistas. Segundo o parlamentar, a prática amplia a gravidade das denúncias relacionadas ao caso.

— Algo que é uma hecatombe no Brasil: uma atividade de máfia que hoje foi revelada, inclusive com violência, estratégias de intimidar jornalistas que criticam o dono do Banco Master, Vorcaro — destacou.

Girão também criticou o cancelamento de sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado. Para ele, os adiamentos impedem a votação de requerimentos de investigação, como pedidos de quebra de sigilo, e comprometem o andamento dos trabalhos do colegiado.


Garantia de oferta de vagas em creches de zonas rurais vai à sanção

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (4) o projeto de lei que obriga os municípios a ofertar vagas em educação infantil em zonas urbanas e rurais de acordo com a população de cada área. O texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei 9.394, de 1996) para explicitar que a atual obrigação dos municípios quanto à educação infantil, em creches e pré-escolas, deve ser proporcional à população. Na prática, a medida corrige a desigualdade que existe atualmente entre a cidade e o campo no acesso à educação. A matéria vai à sanção. 

O PL 4.012/2024, do deputado Damião Feliciano (PDT-PB), recebeu parecer favorável da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) na Comissão de Educação (CE).

A relatora lembrou que, nos primeiros anos de execução do atual Plano Nacional de Educação (PNE – Lei 13.005, de 2014), havia muita desigualdade de acesso de crianças da zona rural à educação infantil (veja quadro abaixo). Ela diz que a situação não melhorou: dados de matrícula do Relatório do 5º Ciclo de Monitoramento do PNE apontam piora no quadro da desigualdade de acesso à educação infantil, quando se toma por base a conjuntura de apresentação do projeto e o ano letivo de 2022.

— A desigualdade de cobertura de crianças de zero a 3 anos entre as áreas rural e urbana apresenta crescimento a partir de 2018, chegando a 19,6 pontos percentuais em 2022, em decorrência de a área urbana ter alcançado 40,3% de cobertura, e a área rural, apenas 20,7% — argumentou na ocasião.

A relatora aponta que o projeto ainda pode estimular que municípios pensem em novas formas de atendimento educacional para crianças de até 3 anos. Segundo ela, resguardado o aspecto educativo e de cuidado, a proposta pode contribuir para a ampliação de ofertas alternativas ao modelo tradicional de creche.


Aumento gradual da licença-paternidade vai à sanção presidencial

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (4), em regime de urgência, o projeto de lei que aumenta de forma gradual o período de afastamento do trabalho para pais segurados da Previdência Social. Aprovado em votação simbólica, o texto será encaminhado à sanção presidencial.

O texto assegura garantia de remuneração integral, estabilidade no emprego e novas regras para adoção e famílias em situação de vulnerabilidade. Regulamenta um direito social previsto na Constituição de 1988, mas que permaneceu restrito desde então ao prazo transitório de cinco dias. 

De acordo com o PL 5.811/2025, a licença-paternidade e o salário-paternidade, considerados isoladamente, terão a duração total de:

. 10 dias, a partir de 1º de janeiro de 2027;

. 15 dias, a partir de 1º de janeiro de 2028;

. 20 dias, a partir de 1º de janeiro de 2029.

De autoria da ex-senadora Patrícia Saboya, o texto foi relatado pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA).

O projeto já havia sido aprovado na Câmara com alterações, voltou para o Senado e seguiu para apreciação do Plenário, após ter sido aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em dezembro de 2025.

Licença-paternidade

De acordo com o projeto, a licença-paternidade será concedida ao empregado, sem prejuízo do emprego e do salário, em razão de nascimento de filho, de adoção ou de guarda judicial para fins de adoção de criança ou de adolescente.

O benefício será suspenso, cessado ou indeferido quando houver elementos concretos que indiquem a prática, pelo pai, de violência doméstica ou familiar ou de abandono material em relação à criança ou ao adolescente sob sua responsabilidade.

Salário-paternidade

O salário-paternidade para o segurado empregado ou o trabalhador avulso consistirá em renda mensal igual à sua remuneração integral, proporcional à duração do benefício.

Cabe à empresa pagar o salário-paternidade devido ao respectivo empregado, podendo obter reembolso, observado o limite máximo dos benefícios pagos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS).

As microempresas e pequenas empresas poderão receber reembolso do salário-paternidade pago aos empregados que lhes prestem serviço.

Discussão

Após a leitura de seu relatório em Plenário, Ana Paula Lobato destacou a importância do projeto e da presença do pai no acompanhamento dos primeiros dias de vida das crianças.

Por sua vez, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou que o projeto “faz justiça” e que a aprovação o texto “uniu direita e esquerda, com apoio da sociedade civil”.

A aprovação do projeto foi saudada ainda pela senadora Augusta Brito (PT-CE) e pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Por unanimidade, Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Após 26 anos de negociações entre as partes, o Senado aprovou nesta quarta-feira (4), por unanimidade, o Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O texto prevê redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela UE. O PDL 41/2026, que ratifica o acordo, ainda precisa ser promulgado pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre.

— Todos nós vamos guardar na nossa memória o dia de hoje, porque não é à toa que este acordo é sonhado há quase três décadas. O Parlamento brasileiro demonstra mais uma vez a maturidade institucional que nós temos, porque cada movimento como este é a constatação de que o Parlamento brasileiro está ao lado dos grandes temas de interesse da sociedade. (...) Esta matéria, que une todos nós, e é um encontro de ideias em favor do Brasil — disse Davi.

Para a relatora, senadora Tereza Cristina (PP-MS), o acordo não é perfeito e envolveu concessões por parte dos dois blocos, mas é necessário, benéfico para o Brasil e capaz de gerar benefícios concretos à população.

— Que este Parlamento esteja à altura desse chamado histórico, reafirmando o compromisso com a democracia, com o desenvolvimento sustentável, com a inserção soberana e cooperativa do país no mundo — afirmou a relatora ao defender o texto.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), disse considerar a aprovação um momento histórico para o Brasil, com a concretização de um texto que levou décadas para ser negociado.

—  Afirmo com convicção: esse acordo não é apenas desejável, ele é necessário. É a chave para dinamizar nossa economia, gerar empregos, atrair investimentos, diversificar nossa pauta exportadora e fortalecer micros, pequenas e médias empresas. É a oportunidade de colocar o Brasil na primeira liga da economia internacional. Trata-se da inserção estratégica do Brasil no mundo, de criar novas cadeias de valor, de projetar a imagem de um país aberto, responsável e inovador — disse o senador.

 Salvaguardas 

Durante a discussão a relatora informou aos senadores que foi publicado, em edição extra do Diário Oficial da União, o Decreto 12.866, do Poder Executivo, com salvaguardas para proteger a competitividade nacional. A edição de um decreto vinha sendo defendida por parlamentares, já que a União Europeia havia aprovado, em fevereiro, a diminuição de um “gatilho” percentual a ser acionado para proteger seus produtores.

Essa regra permitiria suspender preferências tarifárias se as importações de produtos sensíveis (como carne bovina, aves, açúcar, arroz e mel) do Mercosul aumentarem mais de 5% em relação à média de três anos (em volume). Antes o índice era de 10%.

— O Brasil dispõe de instrumentos adequados, no âmbito do próprio Acordo e na ordem jurídica interna, para resguardar seus interesses e assegurar que as autoridades europeias observem os compromissos assumidos e as disciplinas aplicáveis à utilização de salvaguardas. Deve ser transmitida, de forma clara e inequívoca, a mensagem de que acompanharemos atentamente sua aplicação e não hesitaremos em defender o acesso negociado — disse a senadora em Plenário.

O decreto deve garantir que produtores brasileiros e setores industriais tenham instrumentos de defesa comercial caso o fluxo de produtos europeus prejudique a produção interna. Com o texto, é esperado que o Brasil possa aplicar medidas de retaliação ou defesa caso os órgãos europeus imponham sanções injustificadas.

A adoção de salvaguardas foi defendida pelos senadores Jorge Seif (PL-SC), Jayme Campos (União-MT) e Jaime Bagattoli (PL-RO).  

— A aprovação desse acordo realmente é um passo histórico, mas o verdadeiro sucesso vai depender da nossa capacidade de implementar, com inteligência estratégica e proteção aos produtores. Não podemos esquecer de que podem ocorrer medidas unilaterais por parte de alguns países da União Europeia e de que nós temos que dar a pronta resposta para a proteção dos produtores e dos produtos brasileiros — disse Seif.

O acordo provisório prevê um mecanismo de reequilíbrio com interpretações divergentes de ambos os blocos, que permite a uma das partes do acordo solicitar uma compensação quando se sentir prejudicada por uma medida aplicada pela outra parte. Se após todo o processo, a arbitragem decidir a favor de uma parte, esta poderá aplicar retaliações, como suspensão de benefícios previstos no acordo, ainda que sobre produtos de outros setores (retaliação cruzada).

Além da mudança no gatilho para a suspensão de tarifas por parte da Europa, outro ponto que gera divergência é o regulamento da União Europeia para produtos livres de desmatamento (EUDR), aprovado em abril de 2023, que poderia prejudicar as exportações brasileiras de carne para a Europa.

Parceria

De acordo com o governo, juntos, Mercosul e UE reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22,4 trilhões (aproximadamente R$ 117,15 trilhões). Dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) apontam que a União Europeia é o segundo principal parceiro comercial brasileiro, com US$ 100 bilhões (cerca de R$ 523 bilhões) em comércio de bens e leve superávit para os europeus em 2025.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que a ratificação do acordo representa não só a abertura de novos mercados para setores como o  agronegócio, mas também a relocalização do Brasil em um mundo que está se transformando.

—Junto com a União Europeia, com este acordo, estamos firmando no dia de hoje, o maior mercado do planeta de troca de relações comerciais, de desenvolvimento de negócios e de livre circulação de bens, mercadorias e serviços entre o Mercosul e o mercado europeu — disse o líder.

Tanto Randolfe quanto Humberto Costa (PT-PE) lembraram  os esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que se chegasse à assinatura do acordo. Um exemplo citado por Humberto Costa foi o da exclusão de itens destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) da parte do acordo que trata de compras governamentais.  Assim, para preservar a indústria nacional, não haverá redução de imposto de importação nas vendas destinadas ao SUS no Brasil.

— O governo brasileiro fincou o pé e disse que a política na área da saúde, complexo industrial da saúde, não poderia ser atingido por esse entendimento e por esse acordo. Isso que é pensar estrategicamente — lembrou o Humberto Costa.

Para o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a aprovação do acordo mostra que as divergências políticas foram deixadas de lado  pelo bem do país.

 — Esse processo passou pela mão de dezenas, de centenas de negociadores, e calhou de termos, neste momento, um presidente de esquerda, o Presidente Lula, e uma relatora de direita, a Senadora Tereza. Em nenhum momento isso foi impedimento para resolver os problemas, sanar as dúvidas, apresentar soluções. (...) Quando a política para, senta e trabalha, a gente coloca de pé resultados extraordinários — comemorou.

Entrada em vigor

A entrada em vigor do acordo depende da comunicação entre as partes de que o texto foi ratificado. Em 27 de fevereiro, Comissão Europeia  anunciou que o bloco iniciará a aplicação provisória dos termos comerciais, mesmo antes da ratificação total por todos os parlamentos nacionais europeus.

Apesar da adoção provisória, o Parlamento Europeu remeteu o texto à Justiça da União Europeia, que poderá demorar até dois anos para avaliar a legalidade. França, Hungria, Áustria e Irlanda foram contra o texto.

No Brasil, essas tratativas ainda dependiam da ratificação do acordo pelo Congresso. Segundo o governo, a expectativa é de que o texto entre em vigor em até 60 dias.

.